Adeus caderneta, olá Dabox

A transposição chegou dia 14 de setembro e já temos a primeira solução portuguesa que vive neste espírito, e surge do banco público, que assim dá o exemplo e o pontapé de arranque.

A Caixa Geral de Depósitos deu-nos a conhecer uma nova solução que permite fazer a agregação da informação bancária. A Dabox é uma app que surge no âmbito da nova diretiva para os pagamentos, a PSD2, e é a primeira solução portuguesa apresentada ao mercado nacional com a possibilidade de termos uma visão geral da nossa vida financeira, reunindo os saldos das diferentes contas à ordem que utilizamos.

Em primeiro lugar, é de saudar que já haja uma solução portuguesa que nasce neste âmbito. Todo o processo de transposição da PSD2 fazia adivinhar um futuro mais lento, enferrujado e pouco inovador. Os incumbentes portugueses nunca demonstraram, em todo o processo de análise e implementação da diretiva, uma posição aberta, com vontade de fazer mais e melhor com esta oportunidade.

A transposição chegou dia 14 de setembro e já temos a primeira solução portuguesa que vive neste espírito, e surge do banco público, que assim dá o exemplo e o pontapé de arranque para caminharmos todos para um mundo financeiro mais simples e integrado.

A diretiva é clara no objetivo de simplificar os serviços financeiros para os utilizadores, alargando as possibilidades de cada um de nós ter uma visão mais clara, intuitiva, segura e organizada da nossa vida financeira. É por isso que surge esta possibilidade de oferecer soluções que prestam um serviço de Agregação da Informação Bancária. No caso da Dabox, que apenas está disponível, nesta primeira fase, para clientes com conta à ordem no banco público, podemos gerir a nossa vida financeira de forma simples, num só lugar, onde podemos adicionar as nossas contas de outros bancos.

Assim, em vez de consultarmos os saldos e movimentos de cada uma das apps dos bancos onde temos uma conta, a app Dabox apresenta-nos uma visão de todas as contas que queremos integrar, numa única aplicação.

Embora esteja previsto o acesso a clientes de outros bancos, a Dabox está, nesta primeira fase, apenas disponível para clientes da Caixa Geral de Depósitos com serviço Caixadirecta, o que é uma pena, porque o verdadeiro espírito da diretiva é poder haver uma abertura de mercado mais ampla, ajudando todos os utilizadores de serviços financeiros a terem uma visão global do seu património financeiro. Assim, faria também sentido que fosse possível adicionar informação financeira extra, como cartões de crédito ou contas de títulos.

Embora genericamente esta seja uma excelente solução que será muito útil para os utilizadores, existem algumas melhorias que poderiam ser pensadas para uma futura atualização. A primeira delas é a possibilidade de agregar a informação financeira de contas internacionais, como o Revolut ou o N26. Por outro lado, a organização da informação da app não deveria estar em categorias fechadas, uma vez que cada utilizador tem uma forma própria de organizar as suas despesas.

O poder é do cliente, pelo que este deverá conseguir criar as próprias categorias e organizar a informação da forma que lhe for mais conveniente. Por fim, a informação que tenho na app devia ter um histórico consultável sem limites. Queremos uma app como o Gmail em que nunca mais tivemos que apagar um email e nunca mais fomos obrigados a arquivar informação. Na Dabox apenas é possível consultar o nosso histórico de movimentos dos últimos 24 meses.

Estas são três melhorias a ter em conta para a versão 2.0, embora seja uma excelente primeira solução que surge no momento ideal, pensada no âmbito da nova diretiva para bem servir o cliente e que, sendo assinada pela CGD, nos traz um ar fresco do banco público que é tranquilizador por sabermos que os incumbentes não estão totalmente adormecidos.

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