Administração da Altice reúne-se com sindicatos a 22 de junho para esclarecer futuro da empresa

Sindicatos querem conhecer o plano da empresa para os trabalhadores, bem como as notícias que dão conta da saída da Altice de Portugal. Mas, segundo o STPT, o foco será esclarecer um “plano organizacional integrado” cujos contornos as estruturas sindicais dizem desconhecer.

Presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca | Foto cedida

A comissão executiva da Altice Portugal e os sindicatos representativos dos trabalhadores na empresa vão reunir no dia 22 de junho para esclarecer situação da empresa, anunciou o Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Altice em Portugal (STPT) na sua conta de Facebook.

As estruturas sindicais querem saber qual o plano da administração para o futuro da empresa, depois de terem dado conta da preocupação dos trabalhadores com um e-mail do presidente executivo da empresa, Alexandre Fonseca, a alertar para uma eventual reorganização com espaço para novas saídas (desta vez por rescisões unilaterais, ou seja despedimentos). Os sindicatos também deverão procurar clarificar a recente notícia que o grupo Altice prepara a venda da operação portuguesa, bem como tentarão avançar com uma revisão do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), firmado em 2018 e cuja revisão foi assinada em janeiro deste ano.

De acordo com o STPT, que dá conta que a reunião está marcada com outros sindicatos da Altice, a empresa marcou a reunião para falar sobre o atual “enquadramento organizacional” da Altice. A marcação da reunião é uma resposta favorável aos pedidos de diferentes estruturas sindicais, como a Frente Sindical (onde está integrado o STPT) e a União de Sindicatos da Altice Portugal.

No final de maio, todos os sindicatos pediram com urgência uma reunião com a administração da empresa, mas, tal como noticiou o Jornal Económico a 4 de junho, os sindicatos ouvidos pelo JE reclamavam que o pedido fora rejeitado, alegando que a resposta da empresa consistira no envio da mesma uma nota de imprensa veiculada então aos media, a apelidar as recentes notícias de “rumores” e “especulações.

As estruturas sindicais garantiram, então, que iriam insistir com a administração para verem esclarecido o futuro da empresa, com o STPT – um dos sindicatos mais relevantes na telecom – a admitir que, à falta de resposta, poderia vir a mobilizar os trabalhadores para ações de protesto, incluindo greve. Fonte oficial da Altice Portugal assegurara, no entanto, que a empresa nunca recusa “qualquer reunião regular com os sindicatos”. Mas, Jorge Félix, líder do STPT, garantira: “Não há qualquer data marcada [para uma reunião]”.

Jorge Félix também acusava a Altice de não ter “qualquer intenção” de receber as estruturas sindicais. Idêntica versão dos factos contara ao JE Luís Rijo Fernandes, porta-voz da União de Sindicatos da Altice, que também tinha entregue um pedido para reunir com Alexandre Fonseca. Contudo, a União de Sindicatos da Altice rejeitara avançar “com ações de luta”, embora sublinhasse que o silêncio da administração estava a “pôr em causa o ambiente de paz social que até agora se tem vivido na empresa”.

Ora, a resposta da Altice Portugal chegou agora ao sindicatos. Isto depois da Frente Sindical ter reforçado o pedido de reunião com a administração ao entregar à empresa, a 2 de junho, uma proposta de revisão do ACT, na qual se exige um aumento do salário mínimo de 850 euros na empresa.

Apesar dos sindicatos quererem esclarecer notícias sobre o grupo e rever o ACT, os trabalhadores quererão sobretudo esclarecer o plano da empresa face ao e-mail da direção para os trabalhadores, a 28 de maio. Segundo o STPT, está em causa um “plano organizacional integrado” cujos contornos as estruturas sindicais dizem desconhecer.

“Preocupados essencialmente com a comunicação de V. Exa de 28/05/21, onde diz e transcrevemos, ‘… Para tal a componente de recursos humanos é fundamental, pelo que continuará a ser uma área de análise e onde estamos a avaliar todos os cenários possíveis, onde se incluem medidas adicionais de reorganização, que podem passar por medidas de carácter unilateral, que nos permitam atingir os objectivos traçados para a estratégia de crescimento é sustentabilidade no contexto do sector”, lê-se no Facebook do STPT.

Desde 2018 que a Altice Portugal tem promovido saídas da empresa, através do Programa Pessoa. Este ano já foi aberta uma nova vaga de rescisões voluntárias, que contou com a inscrição de 1.700 trabalhadores. Mas a empresa prevê apenas a saída de cerca de 1.100 trabalhadores.

No final do ano, a população laboral da Altice Portugal deverá ser de 6.500 pessoas. Há cinco anos, a dona da Meo empregava diretamente cerca de 11 mil trabalhadores.

Relacionadas

PremiumAntiga PT à venda por 6,5 mil milhões só atrai fundos de ‘private equity’

O banco francês mandatado pela Altice está a enviar informação da operação em Portugal a potenciais interessados. O valor pedido ronda os 6,5 mil milhões e só tem atraído private equities. Quererá mesmo a Altice vender a operação em Portugal?

Sindicatos exigem salário mínimo de 850 euros na Altice Portugal

No comunicado, a Frente Sindical apela, assim, à extensão “do âmbito a todas as empresas da Altice Portugal, nomeadamente à INTELCIA, à MCALL, à PT Sales, à SUDTEL, à TNORD e à MEO Blueticket”.

União de Sindicatos da Altice quer reunir com Alexandre Fonseca para esclarecer situação da empresa

Os sindicatos SINDETELCO, SICOMP, SITIC, FENTCOP e SITESE querem esclarecer “com urgência” o futuro da Altice Portugal com o presidente executivo da empresa. Os sindicatos entendem que as recentes notícias sobre a Altice cria “inquietude” e “desconfiança” entre os trabalhadores da ‘telecom’.
Recomendadas

Os caminhos da recuperação empresarial

Com a perspetiva do aumento das insolvências, vários mecanismos visam a celeridade e eficiência na recuperação de empresas.

Via extrajudicial continua sem ter interessados

O RERE foi criado como alternativa à vida judicial, mas não tem tido a adesão empresas. Associação de mediadores diz que falta informação.

BES: Pareceres atribuem prejuízos da recompra de obrigações à administração que sucedeu a Salgado

Dois pareceres juntos pela defesa de Ricardo Salgado no processo do Eurofin atribuem à gestão que lhe sucedeu a responsabilidade pelos prejuízos gerados pela recompra das obrigações BES e que levaram à sua condenação pelo supervisor.
Comentários