Administração do Novo Banco lamenta que banco seja “usado em manobras políticas”

O banco liderado por António Ramalho responde ao debate parlamentar desta quarta-feira. “Os senhores deputados devem procurar, através de todas as iniciativas, e sublinhamos todas as iniciativas que estão nas suas atribuições, apurar tudo o que quiserem”.

Cristina Bernardo

O Conselho de Administração do Novo Banco reagiu, em comunicado, às acusações proferidas no debate parlamentar desta quarta-feira, dizendo que “não aceita e lamenta profundamente que o bom nome da instituição continue a ser usado como arma de arremesso político e/ou manobras politico-mediáticas.

A instituição liderada por António Ramalho diz ainda que “o Novo Banco é seguramente uma das entidades bancárias mais escrutinadas, tanto a nível nacional como a nível europeu, fruto, aliás, do processo que lhe deu origem. O próprio presidente executivo do Novo Banco esteve já, por várias vezes, no Parlamento a prestar todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados”.

“Se, apesar de tudo, subsistem dúvidas sobre a criação e a forma como é gerido o Novo Banco, como transpareceu, uma vez mais, do debate parlamentar de ontem à tarde, os senhores deputados devem procurar, através de todas as iniciativas, e sublinhamos todas as iniciativas que estão nas suas atribuições, apurar tudo o que quiserem”, refere a administração do banco detido em 75% pela Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução.

O Novo Banco, diz que “está disponível para tudo esclarecer”. Mas “não pode continuar a assistir a constantes manobras que só prejudicam a sua atividade, perturbam o esforço de recuperação duramente realizado por milhares de colaboradores do Banco, que diariamente servem centenas de milhares de clientes, e esquecem a importância do Novo Banco para a economia do país que ficou bem evidenciada, sobretudo nesta hora de maior dificuldade para as empresas e famílias portuguesas”, lê-se no comunicado.

Ontem, no debate parlamentar, a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, perguntou ao primeiro-ministro se o Estado poderá reaver o dinheiro injetado pelo Fundo de Resolução no Novo Banco, se a auditoria da Deloitte detetar falhas de gestão.

António Costa respondeu, que “se a auditoria vier a dizer que o banco cometeu falhas de gestão que tornam injustificadas as injeções que foram feitas, o Fundo de Resolução tem toda a legitimidade para agir no sentido da recuperação”.

Recorde-se que o Fundo de Resolução, detido pelos bancos, gerido pelo Banco de Portugal, e contabilizado como entidade pública para efeitos de défice, acompanhou a gestão dos ativos cobertos pelo mecanismo de capital contingente e as verbas foram confirmada pelo agente verificador, Oliver Wyman.

O mecanismo de capital contingente está contratualizado e serve para manter o banco com os capitais adequados para continuar a operar.

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