As pequenas e médias empresas (PME) digitais da Península Ibérica estão entre as mais avançadas na Europa na adoção de tecnologia, contudo enfrentam barreiras que impedem de competir no mercado europeu de contratação pública.
As conclusões do novo estudo “Simple, digital-first procurement: the path to adding 1.8 million new jobs to Europe’s digital SMEs”, mostram que apesar da sofisticação tecnológica, o sistema “de inovação ibérico está a ser subaproveitado”. A simplificação e a eliminação das barreiras nos processos públicos podem desbloquear 117 mil milhões de euros em valor acrescentado bruto para as PME europeias digitais, assim como criar 1,8 milhões de empregos.
De acordo com os dados, cerca de 43% das PME digitais locais nunca consideraram participar num concurso público, um número alinhado com a média europeia, contudo o “apetite” para o futuro é menor, com 49% a verem a contratação pública como parte da sua estratégia de crescimento, enquanto no resto da Europa este número sobe para 57%.
Segundo o estudo, entre as principais barreiras para as PME estão a complexidade excessiva, com 68% das PME ibéricas a consideraram os processos demasiado complexos, a documentação exaustiva, com 37% a apontarem este um motivo de dissuasão, e os requisitos inflexíveis, com 39% a serem desencorajadas.
André Rodrigues, porta-voz da AWS em Portugal, head of technology software & tech companies para a Europa do Sul da AWS, afirma que “Portugal tem um ecossistema de PME digitais altamente competente e preparado para inovar. Ao tornar a contratação pública mais simples e digital desde a origem, criamos as condições para que esse talento contribua de forma mais ativa para projetos públicos, desbloqueie crescimento económico, gere emprego qualificado e acelere a modernização dos serviços que impactam cidadãos e empresas”.
As desistências a nível europeu são mais preocupantes do que a nível ibérico, com sete em cada dez PME a não participarem, ou a desistirem a meio ou a obterem um retorno baixo do seu investimento. Já na Península Ibérica a resiliência é maior, contudo quatro em cada dez empresas que iniciam um concurso desistem.
Questionadas sobre o que poderia mudar para as incentivar a participar em concursos, as PME ibéricas referem que a simplificação e redução da documentação, a criação de plataformas de concurso mais fáceis e consistentes e a definição de critérios de qualificação mais claros são mudanças urgentes.
Com este estudo a AWS fez um plano de quatro pontos que considera fundamental para desbloquear o potencial das PME digitais. O primeiro ponto passa pelo diálogo entre compradores públicos e fornecedores, para promover um entendimento mútuo entre compradores e fornecedores antes do lançamento dos concursos.
O segundo ponto passa pela divulgação e acesso às oportunidades de contratação pública, com a criação de um portal digital único de contratação pública à escala da UE, com normas harmonizadas e interfaces técnicas abertas (APIs).
A simplificação da apresentação e avaliação das propostas é outra das propostas, com o objetivo de tornar os procedimentos mais simples através de modelos normalizados, prazos de adjudicação mais curtos e ferramentas de avaliação assistidas por inteligência artificial, reduzindo os encargos administrativos e reforçando o foco no valor das propostas.
A última passa pela gestão dos contratos e apoio ao crescimento das PME, através da implementação de sistemas de faturação eletrónica que garantam pagamentos atempados, utilizar ferramentas de gestão contratual baseadas na cloud e incentivar a apresentação de propostas conjuntas, apoiando o crescimento e a escala das PME.
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