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AFIA apoia apelo da indústria europeia para uma concorrência justa

A associação junta-se à CLEPA na defende da urgência da criação de medidas que ajudem a reforçar a concorrência justa e preservar a capacidade de inovação e as cadeias de valor europeias.
Crédito: AFIA
Crédito: AFIA
19 Fevereiro 2026, 14h56

A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, como membro da direção da CLEPA – European Association of Automotive Suppliers, associa-se à carta aberta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen onde se defende a necessidade urgente de criar medidas que ajudem a reforçar a concorrência justa e preservar a capacidade de inovação e as cadeias de valor europeias.

De acordo com a CLEPA, os fornecedores automóveis (responsáveis por 75% do valor total de um veículo) “são um pilar estratégico da prosperidade industrial europeia, impulsionando o investimento em I&D e o emprego qualificado, sendo mesmo a base de sustento de milhões de famílias em todo o continente”, refere a associação nacional em comunicado. Contudo, “a associação europeia alerta que o setor enfrenta “fricções sem precedentes, num contexto global marcado por subsidiação distorciva, dumping de preços, sobrecapacidades apoiadas pelo Estado e tarifas unilaterais que levam os produtores europeus a ficarem em desvantagem estrutural e a enfrentarem concorrência desleal”.

A AFIA sublinha ainda que a Europa deve manter-se aberta ao comércio e à cooperação internacional, mas recorda que o comércio só é sustentável quando assenta em regras equivalentes para todos e numa concorrência efetivamente leal. “A carta da CLEPA aponta ainda sinais evidentes no comércio de 2025, referindo que as importações de componentes automóveis provenientes da China atingiram 8,2 mil milhões de euros e que o saldo comercial passou de um excedente há cinco anos de quase 7 mil milhões de euros para um défice de 0,7 mil milhões. A mesma carta menciona um estudo recente da Roland Berger que alerta para o risco de perda de emprego na Europa até 2030 caso não sejam adotadas medidas atempadas. “Importar hoje a tecnologia mais barata esvazia amanhã a nossa capacidade de inovação. Se permitirmos que as nossas cadeias de valor se desagastem, perderemos fábricas, mas também a nossa autonomia estratégica”.

“Arriscamo-nos a trocar a soberania tecnológica europeia por uma dependência permanente de regiões de menor custo e com menor regulação”, alerta a CLEPA. No âmbito dos trabalhos em torno do Industrial Accelerator Act, “a AFIA acompanha a posição da CLEPA de que cada vez mais a contratação pública, os subsídios públicos e outros incentivos devem estar ligados à criação de valor europeia. Em particular, a definição de um “veículo europeu” é apresentada como um fator decisivo: a CLEPA defende que os incentivos devem privilegiar veículos com 75% (ou mais) de conteúdo local ao nível do veículo, excluindo baterias, garantindo que a maior parte do valor é gerada dentro das fronteiras europeias”.

Para José Couto, presidente da AFIA e membro da direção da CLEPA, citado pelo comunicado, “a transição para a mobilidade de baixas emissões e a digitalização exigem investimento, escala e previsibilidade. Se a Europa quer liderar a transformação, tem de garantir condições de concorrência justas e enquadramentos que mantenham o valor, a inovação e o emprego ancorados no espaço europeu. Apoiar a proposta da CLEPA é escolher soberania industrial, reforçar a resiliência das cadeias de valor e proteger a capacidade tecnológica da Europa.”

A AFIA reafirma a sua disponibilidade para colaborar com decisores e parceiros europeus na construção de um quadro credível e ambicioso, que alinhe competitividade, inovação e transição climática, assegurando que a transformação da mobilidade cria valor e emprego de qualidade na Europa.


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