Afinal, o BCE cortou taxas… ou subiu?

A introdução de escalões para a taxa dos depósitos que os bancos fazem junto do BCE gerou um efeito no mercado monetário que não foi antecipado: as Euribor estão a subir.

A introdução de escalões para a taxa dos depósitos que os bancos fazem junto do BCE gerou um efeito no mercado monetário que não foi antecipado – as Euribor estão a subir.

Na semana passada, o BCE cortou a taxa de depósito de -0,40% para -0,50%. Esta é a taxa a que os bancos estão sujeitos quando depositam a sua liquidez no banco central. Portanto, os bancos estão a pagar, e não a receber, pelos depósitos que fazem no BCE. Há bastante tempo que esta taxa passou a ser a verdadeira referência da zona euro – desde que o mercado monetário passou a estar com excedentes de liquidez. A existência de taxas de depósito negativas pretende desincentivar o entesouramento por parte dos bancos, levando a que emprestem mais.

Mas o BCE foi sensível a argumentos da banca: se os bancos são obrigados a manter um certo volume de reservas – cuja capacidade de mobilização é reduzida – também não deveriam pagar por isso. Assim, o BCE introduziu uma isenção do pagamento dos tais 0,50%, só que para um montante até seis vezes as reservas obrigatórias. Na prática, isto significa que cerca de 800 mil milhões de euros deixam de estar sujeitos à taxa de depósito, estimando-se que a taxa de depósitos média ponderada passou agora a ser de aproximadamente -0,30%, o que fez ajustar em alta as Euribor.

O BCE cortou a taxa de depósito, mas na prática provocou uma subida das taxas no mercado, o que se espera seja um movimento sem repetição.

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