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África e América do Sul são alternativas para Galp vender gasolina se Trump impuser tarifas

Os EUA pesam entre 60% a 75% das exportações de gasolina da empresa.
26 Março 2025, 07h00

A África e a América do Sul são dois mercados alternativos para a Galp vender gasolina se os EUA vierem a impor tarifas sobre os produtos petrolíferos europeus.
“A refinaria tem uma capacidade de se ajustar a produzir diferentes tipos de gasolina. Se o fazemos hoje para os Estados Unidos é porque é um mercado que tem maior valor acrescentado para nós”, disse na terça-feira Cristina Cachola diretora da refinaria de Sines. “Mas há mercado em África, há mercado na América do Sul, portanto, há vários mercados disponíveis”.
A responsável adiantou que a empresa costuma analisar “esses tipos de mercados” e pode haver um momento em que a “competitividade destes mercados aumenta face ao dos Estados Unidos”.
Os EUA pesam entre 60% a 75% das exportações de gasolina da empresa, entre 1,2 a 1,5 milhões de toneladas do total de 2 milhões de toneladas de gasolina vendida por ano, segundo dados avançados pela diretora.
Já o administrador Ronald Doesburg também apontou para a “flexibilidade” da companhias nos mercados, acrescentando que o mercado dos EUA é bastante competitivo e que a imposição de tarifas não implica necessariamente procurar alternativas.
Novas unidades de 650 milhões em Sines arrancam em 2026
As duas novas unidades da refinaria de Sines vão arrancar em 2026.
A unidade de produção de hidrogénio verde representa um investimento de 250 milhões para produzir até 15 mil toneladas de hidrogénio verde por ano, tornando-se uma das primeiras infraestruturas desta escala a operar na Europa.

Já a unidade de biocombustíveis, que já se encontra em construção e está a ser desenvolvida em parceria com a japonesa Mitsui, representa um investimento total de 400 milhões de euros. “Esta unidade irá transformar óleos vegetais e gorduras residuais em combustível sustentável para aviação (SAF) e em gasóleo renovável de origem biológica (HVO), com características idênticas aos combustíveis de origem fóssil utilizados nos motores de combustão”, explica a empresa.

Por ano, vai produzir até 270 mil toneladas de combustíveis renováveis, o suficiente para que a partir de 2026 “Portugal possa assegurar com produção nacional o cumprimento do mandato de incorporação deste tipo de combustíveis na aviação. Os SAF são essenciais para que o transporte aéreo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito de estufa, inicie a sua descarbonização”, segundo a companhia.

Galp vai investir 200 milhões na refinaria de Sines este ano

A Galp vai investir 200 milhões de euros na refinaria de Sines este ano, anunciou a empresa na terça-feira.

A petrolífera vai realizar trabalhos de manutenção e também desenvolver projetos de eficiência energética.

“Em 2025, vamos investir mais de 200 milhões na manutenção da refinaria e em eficiência energética”, disse a diretora da refinaria Cristina Cachola.

A responsável disse que estes gastos fazem parte da “gestão normal da refinaria” e que os trabalhos de manutenção pesam “dois terços nos custos da refinaria”.

“Trata-se de manutenção corrente, todos os anos temos de investir para manter a integridade e a disponibilidade da refinaria a funcionar”, acrescentou Cristina Cachola durante uma visita de jornalistas ao complexo industrial na cidade portuária do distrito de Setúbal.

Na fábrica 1 da refinaria, vai haver no final deste ano uma paragem de 50 dias para manutenção, afirmou. “De forma cíclica, fazemos grandes paragens para manutenção. Investimos na integridade dos ativos”.

Já os projetos de eficiência energética são para introduzir “competitividade em termos de custos de redução de energia”.

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