‘Agile’ como ferramenta contra a propagação da Covid-19

Há lições a aprender com a abordagem da Nova Zelândia no combate à pandemia, cujo sucesso tem por base a rapidez de resposta e o acompanhamento contínuo das necessidades que vão surgindo.

Agilidade e análise funcional são termos geralmente relacionados com uma profissão que tem vindo a crescer ao longo dos últimos anos para acompanhar o aumento na procura de serviços tecnológicos. Portanto, será que a agilidade dos processos de análise funcional consegue tirar- nos da crise sanitária que enfrentamos hoje?

Atualmente, o mundo confronta-se com uma situação económica complexa provocada pela pandemia de Covid-19 que, por exemplo, ao nível económico está a levar a uma diminuição de receitas de empresas que tem resultado em despedimentos e lay-offs de colaboradores e, consequentemente, num aumento significativo da procura de apoio governamental por parte dos cidadãos.

Por outro lado, as empresas semi-tecnológicas têm-se adaptado à nova forma de trabalhar, recorrendo a ferramentas digitais para manter ou até aumentar níveis de produtividade dos colaboradores enquanto trabalham remotamente.

E o Estado, como pode minimizar o impacto negativo na economia seguindo os princípios da metodologia Agile?

Vejamos as seguintes ações tomadas pelo governo da Nova Zelândia, que fechou as fronteiras no dia 19 de março no combate contra o coronavírus, numa altura em que só havia uma centena de casos confirmados e zero mortes, manifestando a sua proatividade e liderança face a outros países:

  • Foi enviada uma mensagem explícita sobre as medidas de confinamento do governo e a responsabilidade de cada cidadão para poder atingir o objetivo pretendido, que se traduziu num maior cumprimento das regras por parte da população.

[Princípio 1 – Indivíduos e interação mais que processos e ferramentas]

  • Ainda no mês de março, foram implementadas medidas de confinamento total com limitações a interações sociais, com maior foco na implementação das medidas em vez de criar regras e documentá-las na forma de manuais.

[Princípio 2 – Software em funcionamento mais que documentação detalhada]

  • O país sujeitou, e continua a sujeitar os cidadãos que regressam à Nova Zelândia, a uma quarentena de 14 dias e procedeu a testes em massa e rastreios de contacto, tendo sempre comunicado cada passo e o seu objetivo com os cidadãos, tratando-os como parceiros do projeto.

[Princípio 3 – Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos]

  • Desde o início de junho que a Nova Zelândia está limpa do vírus, porém continua a implementar medidas de proteção, sobretudo nas fronteiras e através de uma avaliação constante da situação.

[Princípio 4 – Responder a mudanças mais que seguir um plano]

Cada passo descrito acima, demonstra como a Nova Zelândia venceu o combate à Covid-19 valorizando os quatro princípios da metodologia Agile, sempre a reiterar o planeamento, execução e avaliação da situação para quebrar a cadeia de transmissão, mantendo uma comunicação clara e constante com o cidadão em cada passo para garantir a boa realização do objetivo final.

Apesar das vantagens da pequena população e localização remota da Nova Zelândia, há lições a aprender com este caso, cujo sucesso assenta na rapidez de resposta e acompanhamento contínuo das necessidades que foram surgindo a fim de satisfazer o cliente final, que é um dos valores da metodologia Agile.

Resumidamente, o Agile não é só uma metodologia de trabalho no âmbito de projetos de implementação de tecnologia, mas um método de estar, uma maneira de olhar, e uma forma de ultrapassar os desafios que o presente nos traz.

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