Agricultores de Portugal e Espanha unem esforços para que reforma da PAC fique concluída até ao fim do mês

CAP e ASAJA querem ter a reforma da Política Agrícola Comum terminada até ao fim da presidência portuguesa da União Europeia. Confederações ibéricas acusam o comissário europeu da Agricultura, Janusz Wojciechowsk, de ser um “fantoche”.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e a sua congénere espanhola, a Asociación Agraria de Jóvenes Agricultores (ASAJA), estão a unir esforços para que reforma da Política Agrícola Comum (PAC) fique concluída até ao final do mandato da presidência portuguesa da União Europeia (UE), a 30 de junho de 2021, e mostram-se disponíveis para auxiliar as negociações.

Os agricultores ibéricos propõem períodos de programação da PAC com duração de dez anos, “para que possa ser feita uma verdadeira análise de impacto dos resultados”, defendem que a regulamentação não deve ser muito diferente nos dois países, “sob pena de provocar grandes distorções no mercado” e pedem a redução da burocracia no sector primário.

“Como países vizinhos e parceiros comerciais temos de manter uma relação de proximidade e coerência, principalmente nos pagamentos ligados, que são um instrumento de apoio à manutenção das atividades económicas nas regiões desfavorecidas e de baixa densidade populacional”, apelaram, na conferência ibérica na Feira Nacional da Agricultura, que decorre em Santarém.

As confederações de empresários agrícolas acusam o comissário europeu da Agricultura, Janusz Wojciechowsk, de ser um “fantoche” sem força política e consideram “inadmissível” que seja o vice-presidente da Comissão Europeia, o holandês Franz Timmermans, a tentar ser o principal interlocutor de uma pasta que não lhe pertence.

“É necessária uma liderança forte na UE, porque os agricultores trabalham todos os dias com o objetivo de produzir alimentos, saudáveis, seguros e a preços razoáveis, e necessitam de medidas de longo termo para poderem fazer as escolhas mais acertadas para a suas explorações. Neste momento, o que estamos a assistir é uma incapacidade política total da parte dos decisores políticos da União Europeia, para darem segurança e estabilidade aos agricultores europeus”, denunciam a CAP e a ASAJA.

Os representantes do sector dizem ainda que é necessário que todos os custos inerentes à mão de obra sejam contabilizados a 100%, assim como os serviços contratados, caso o objetivo do Parlamento Europeu seja o capping (valor máximo) obrigatório. Além disso, dado serem países mediterrânicos, pedem “instrumentos eficazes” de combate às pragas e às doenças que estão diretamente relacionadas com as alterações climáticas, para não pôr em causa a segurança alimentar.

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