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AICEP promove primeiro encontro empresarial entre República Dominicana e Portugal com foco no turismo

As exportações portuguesas para a República Dominicana totalizam uma média anual de cerca de 37,9 milhões de dólares. Em outubro de 2025, registou-se um aumento anual de 63,5% no valor exportado mensalmente. Altice está no topo do ranking das empresas exportadoras para aquele país do caribe.
19 Janeiro 2026, 12h30

Decorreu hoje em Lisboa o primeiro encontro empresarial de Turismo, Comércio e Investimento entre a República Dominicana e Portugal, com membros do Governo do país das caraíbas. Este encontro empresarial teve a participação da AICEP, da Associação Empresarial de Portugal  (AEP) e da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP). Mas também de Ana Figueiredo, presidente da Altice Portugal que está no topo do ranking de maiores exportadores para aquele país.

O primeiro Encontro Empresarial República Dominicana–Portugal tem o objetivo de fortalecer as parcerias bilaterais e posicionar a República Dominicana como um centro logístico de acesso às Américas para as empresas portuguesas. Recorde-se que a República Dominicana tem relações bilaterais com Portugal desde há mais de 140 anos.

As exportações portuguesas para a República totalizam uma média anual de cerca de 37,9 milhões de dólares. Em outubro de 2025, registou-se um aumento anual de 63,5% no valor exportado mensalmente.

Em sentido inverso, em 2025, as exportações da República Dominicana para Portugal totalizaram 2,8 milhões de dólares.

Sem surpresas, o turismo tem um foco significativo neste encontro bilateral. Entre 2015 e 2025 a República Dominicana recebeu 363.517 turistas portugueses. Só em 2025 somaram 42.516 turistas.

Hugo Rivera, vice-ministro para os Asuntos Económicos y Cooperación Internacional del Ministerio de Relaciones Exteriores (Mirex), sublinhou a importância da paz, porque “sem paz não há comércio, não há investimento, não há turismo”.

Depois foi a vez de Biviana Riveiro Disla, Diretora Executiva do Centro de Exportação e Investimento da República Dominicana, explicar que a União Europeia se mantém com a principal investidora na república do caribe. Em 2024 representava 34,8% de todo o investimento direto estrangeiro no país, com um enfoque em setores estratégicos como o turismo, energia, zonas francas e transporte.

No ano passado a UE reforçou a sua liderança como principal investidor na República Dominicana com mais de 882,7 milhões de dólares, segundo dados referentes ao período de janeiro a junho.

Biviana Riveiro disse ao Jornal Económico, à margem da conferência, que tem “altíssimas expectativas em este primeiro encontro empresarial de turismo, comércio e investimento”.

“Espero que as empresas portuguesas tenham a possibilidade de explorar as vantagens competitivas que dá à República Dominicana, que é um país tem estabilidade política, econômica, social e jurídica e é um marco legal de incentivos no área de turismo, de resíduos sólidos, de desenvolvimento fronteiriço, de zonas francas, de exploração de hidrocarbonetos. Há novas áreas onde queremos impulsionar a investimento como é o área da tecnologia, do software, da indústria aeronáutica e aeroespacial, do setor de mineiro, das energias renováveis, onde Portugal  tem uma ampla experiência”, acrescentou a responsável da República Dominicana.

Biviana Riveiro acrescentou que “na República Dominicana, não só temos um plano para duplicar o tamanho da nossa economia na próxima década, mas também temos uma estratégia nacional de competitividade, de serviços modernos, de inteligência artificial, de inovação, e aí temos muitos espaços para que possamos incentivar a criação de novas empresas. Queremos também dar oportunidade às empresas portuguesas que queiram expandir suas operações para a República Dominicana, não somente para a manufatura de bens, mas também para a prestação de serviços tecnológicos, que é uma área de expansão, onde Portugal já tem um posicionamento global, e ainda nas área educação, engenharia, entre outras”.

A responsável explica porque não há um valor identificado para o IDE no país com origem em Portugal, pois a maioria das empresas que já investem no país são empresas multinacionais com diferentes filiais, como é o caso da Altice Labs que investe na República Dominicana através da sua filial no Luxemburgo. “Por isso, às vezes, é difícil quantificar. Mas o que queremos é expandir a presença das empresas portuguesas na República Dominicana”, concluiu. 

O Banco Central da República Dominicana estima que o IDE (investimento direto estrangeiro) ultrapasse os 4,7 mil milhões de dólares até ao final do ano. Só no primeiro trimestre de 2025, o país captou cerca de 1,33 mil milhões de dólares.

O Produto Interno Bruto (PIB) nominal da República Dominicana foi estimado em aproximadamente 129,75 mil milhões de dólares em 2025. Para 2026, as projeções indicam um valor de 138,34 mil milhões de dólares. A projeção para 2026 é um crescimento do PIB real de 4,5%.

A estratégia da República Dominicana passa por uma maior aproximação a Portugal para alavancar sinergias geográficas e económicas mútuas e fortalecer a sua posição no comércio internacional.

O gestor de clientes institucionais da AICEP, João Falardo, lembrou que os exportadores para a República Dominicana atingiu um total 219 empresas, mais 23 entre 2000 e 2024. Nesse ano a república do caribe ocupou a 74ª posição no ranking de destinos das exportações portuguesas.

Uma das maiores exportadoras portuguesas para a República Dominicana é a Altice Labs. Está em segundo lugar no ranking, depois da 361 – Metal. Em terceiro lugar surge a Artefita – Indústria de Passamanarias, em quarto surge a Bial, seguindo-se a Casfil – Indústria de Plástico; a CIN; a Friesen – Indústria de Madeiras, a Grupel – Grupos Electrogéneos; a Sonae Arauco Portugal; e The Navigator Company.

Em 2024 cinco exportadores registaram exportações entre um milhão e os 10 milhões de euros; 189 exportadores exportaram entre mil euros e um milhão de euros e 25 exportadoras exportaram menos de mil euros.

João Falardo explicou que em 2024, as principais exportações portuguesas para a República Dominicana foram papel e cartão, produtos farmacêuticos, materiais e componentes de construção e cabos eléctricos, juntamente com fitas têxteis, produtos d madeira, tintas e vernizes, chapas e filmes de plástico e equipamentos telefónicos.

Já as principais importações portuguesas nesse ano foram dominadas por resíduos plásticos, álcool etílico, calçado com sola de borracha, produtos de tabaco, vestuário para trabalho especializado e peles e couros bovinos em bruto.

João Falardo convidou as startups da República Dominicana a estarem presentes na próxima Web Summit. O responsável lembrou que Portugal tem 4.719 startups, das quais 68% foram criadas nos últimos cinco anos, 81% são especializadas em serviços de alta tecnologia e geram 44 mil empregos.

A AICEP referiu que em 2024 o total das exportações portuguesas representaram 46,6% do PIB o que traduz um aumento de 6,8% desde 2014. No fim de 2024 o stock de IDE atingiu os 200,3 mil milhões de euros, o que representa 71% do PIB.

 

(atualizada com declarações da Diretora Executiva do Centro de Exportação e Investimento da República Dominicana)


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