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Air France-KLM continua em jogo na TAP

Companhia francesa garante que vai à segunda ronda da privatização da TAP no mesmo dia que o Governo anuncia que a próxima fase arranca a 2 de janeiro, e em que a IAG diz que quer uma posição maioritária na companhia.
19 Dezembro 2025, 15h23

A Air France-KLM (AFKLM) anunciou hoje que vai a jogo na segunda fase de privatização da TAP, em que os três candidatos têm de entregar a proposta não-vinculativa.

A AFKLM manifestou a “sua satisfação com o anúncio do Governo português de que o Grupo está qualificado para entrar na próxima fase do processo de privatização da TAP”.

“O Grupo reitera o seu forte interesse na TAP e aguarda com expectativa os próximos passos, nomeadamente a submissão de uma oferta não vinculativa até ao final do primeiro trimestre de 2026. As companhias aéreas do grupo Air France-KLM servem Portugal desde 1940 e operam mais de 600 voos semanais para 5 destinos no país”, segundo uma nota hoje divulgada.

“Através da aquisição de uma participação na TAP, o grupo Air France-KLM pretende aumentar ainda mais a sua contribuição para a economia portuguesa e criar valor para a TAP e para o país”, concluiu.

Dona da British/Iberia quer a maioria da TAP

Em relação a outras das interessadas, a IAG, parece que há mau tempo no outro lado do canal do Mancha.

Está esclarecido o irritante da dona da British Airways/Iberia em relação ao processo de privatização da TAP. Quando apresentou a sua manifestação de interesse a 21 de novembro, a IAG declarou que era “necessário esclarecer vários temas antes de o IAG poder propor um investimento”. Na altura, a companhia aérea rejeitou fazer mais comentários.

Mas agora já há mais pistas em cima da mesa. A IAG disse hoje que prefere ter a maioria do capital da TAP para melhorar as margens de lucro da companhia aérea portuguesa. Uma posição minoritária? Será um “problema”.

“Para fazer isso, precisaríamos de um caminho muito claro para a propriedade da companhia, propriedade total ou maioritária, e neste momento isso não está em cima da mesa”, disse à “Bloomberg” Nicholas Cadbury, administrador financeiro da IAG.

A 21 de novembro, a frontalidade da IAG, deixou muitas dúvidas no setor da aviação em Portugal, especialmente numa altura tão precoce da privatização, e feito de forma tão pública.

Recorde-se que o Governo quer vender 49,9% da companhia aérea portuguesa, com 5% destinado aos trabalhadores.

A TAP detém margens de 8% atualmente, com a IAG a ter como meta para as suas empresas margens de 12%-15%.

A IAG – liderada pelo espanhol Luis Gallegos – está na corrida à privatização da TAP em conjunto com a Air France-KLM e a Lufthansa.

A dona da British Airways e da Iberia diz que precisa de trabalhar com o Governo português para perceber como pode transformar e a investir na TAP. “Se não conseguirmos fazer isso, vai ser muito difícil chegar a acordo”, acrescentou.

TAP. Governo espera propostas não-vinculativas até 2 de abril

As declarações da IAG tiveram lugar no mesmo dia em que o Governo anunciou que  espera ter as propostas não-vinculativas para a TAP ainda no primeiro trimestre de 2026.

“No primeiro trimestre de 2026, teremos as propostas não vinculativas”, disse hoje o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz em conferência de imprensa no Entroncamento.

O ministro explicou que a segunda etapa arranca a 2 de janeiro com o envio dos convites aos três candidatos na corrida – Air France-KLM, Lufthansa e IAG. Nesta fase, “será disponibilizada informação sobre a TAP, para preparação das propostas não vinculativas”.

Depois, serão “celebrados acordos de confidencialidade com os proponentes”, com as propostas não-vinculativas a terem de ser entregues até ao dia 2 de abril, dia em que terminam os 90 dias após o arranque desta fase.

Na próxima fase, já é exigido mais dos candidatos: plano industrial, visão estratégica, plano para as rotas, “salvaguarda de ligações, riscos regulatórios, direitos e valorização dos trabalhadores, “manter a marca e sede em Portugal, sinergias, “respeito pela legislação” no direito da concorrência, condicionantes da operação, governo societário ou acordo parasocial, explicou o ministro.

Miguel Pinto Luz destacou que, apesar de o Governo ter decidido alienar uma participação minoritária (49,9%),”os três maiores grupos europeus vieram a jogo” o que demonstra a “saúde económico-financeira da companhia”.

O ministro explicou que as operações de handling e de catering ficam de fora da privatização e que serão vendidas à parte, com as receitas a reverter para os cofres públicos. Já o reduto da TAP no Humberto Delgado também fica de fora do processo de privatização, com a tutela na “fase final” da sua análise a este dossier.

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