Alentejo prevê produzir mais 5% de vinho este ano

“As vindimas no Alentejo normalmente duram 10 a 11 semanas”, disse o presidente da comissão vitivinícola, estimando que, “no final de setembro ou, o mais tardar, no início de outubro”, a campanha esteja terminada. Esta região produziu, no ano passado, 98,3 milhões de litros de vinho.

A produção de vinho no Alentejo, cuja época de vindimas já está a decorrer, deve aumentar 5% este ano, para um total próximo dos 104 milhões de litros, revelou esta terça-feira a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).

A CVRA, num comunicado enviado hoje e no qual refere que as vindimas já decorrem na região, destaca que a estimativa é que, “ao contrário da tendência nacional”, o Alentejo “possa produzir mais 5%” de vinho face ao ano anterior.

O presidente da CVRA, Francisco Mateus, adiantou hoje à agência Lusa que esta estimativa de crescimento do aumento da produção “tem base científica”, tendo partido de uma previsão feita, em julho, pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, procedimento que já é habitual.

“Esta já é a 21.ª previsão que fazemos com a Faculdade de Ciências e acreditamos que faz sentido assumir, nesta fase, uma estimativa de 5% de aumento da produção”, frisou.

Segundo Francisco Mateus, tal significa que, nesta época de vindimas, que arrancou “na última semana de julho”, a produção no Alentejo “pode ir até aí aos 104 milhões de litros de vinho”.

“São ótimas notícias para a região, representando inclusive um alento para os produtores que, com as exportações a adivinharem uma ligeira quebra e com as dificuldades demonstradas no canal Horeca nacional, têm passado por um período mais conturbado”, salientou.

Mas Francisco Mateus, sem deixar de lado as cautelas, lembrou também à Lusa tratar-se de uma previsão: “Há uns anos apanhámos uns dias em agosto em que houve aquele ‘escaldão’ nas vinhas e as previsões não valeram de nada”.

A CVRA referiu que, dos mais de 250 produtores do Alentejo, 46 já estão a realizar a campanha de vindimas.

“As vindimas no Alentejo normalmente duram 10 a 11 semanas”, disse o presidente da comissão vitivinícola, estimando que, “no final de setembro ou, o mais tardar, no início de outubro”, a campanha esteja terminada.

Tal como é habitual, a vindima começa pelas castas brancas, arrancando a das tintas “só lá para a 4.ª semana de agosto”, disse.

“E começa de sul para norte. Teve início nas zonas de Vidigueira e Beja, esta semana já veio para Reguengos de Monsaraz, em Évora também já se vindima alguma coisa, mas Borba só deve começar a vindimar lá para dia 17 e, depois, vai subindo no território”.

Ao nível da qualidade, explicou o responsável, “os produtores não estão preocupados” e “as vinhas estão sãs e boas”, apesar “de “alguns ataques de míldio em abril e maio que atingiram as uvas Antão Vaz e alguns casos de escaldão”.

Mas agora os produtores dizem que este calor que se tem feito sentir não é nada preocupante, tudo parece estar em boas condições””, vincou, congratulando-se por, este ano, a área de vinha no Alentejo “superar, pela primeira vez, os 23 mil hectares”, graças a “zonas de vinha nova que foram plantadas”.

Para prevenção e contenção da covid-19, os produtores elaboraram e acionaram um Plano de Contingência reforçando a higienização dos espaços nas adegas e da utilização de máscaras na apanha da uva.

A região vitivinícola Alentejana produziu, no ano passado, 98,3 milhões de litros de vinho.

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