Aliança vai pedir repetição do voto dos emigrantes para as legislativas

“Implementação de um sistema de votação online seguro e eficiente” é a solução que o Aliança espera ver os demais partidos defenderem junto do Presidente da República e do Ministério da Administração Interna. Sem prejuízo de a Assembleia da República começar os trabalhos só com 226 deputados.

O presidente do Aliança, Pedro Santana Lopes (C), durante a sessão de abertura do 1.º Congresso do Aliança, Évora, 9 de fevereiro de 2019. O partido é liderado por Pedro Santana Lopes que elege neste congresso o senado, o conselho de jurisdição e a comissão de auditoria. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A comissão executiva do Aliança quer a repetição das eleições legislativas para os eleitores residentes no estrangeiro, considerando que a implementação de um método de voto eletrónico será a única forma de evitar que 131.967 portugueses fiquem impossibilitados de exercer o dever cívico, visto que por diversos motivos não chegaram a receber os envelopes com os boletins de voto.

Esse é um dos motivos que vão levar o partido criado e presidido por Pedro Santana Lopes a enviar cartas às restantes formações políticas que apresentaram listas nos círculos de Europa e de Fora da Europa, apelando a que também requeiram a repetição do ato eleitoral nesses círculos ao Presidente da República e ao Ministério da Administração Interna.

Neste momento a tomada de posse dos deputados da XIV Legislatura está dependente do escrutínio dos votos enviados pelos residentes no estrangeiro, a qual só será feita na próxima quarta-feira, 16 de outubro, mas o Aliança considera que só a repetição da votação, implementando o “método de votação por via eletrónica não presencial”, pode assegurar o respeito pelos eleitores.

“Demore o tempo que demorar até ao desenvolvimento e implementação de um sistema de votação online, o que pode impedir a tomada de posse de quatro dos 230 deputados eleitos, é na verdade mais importante garantir que se cumpre a democracia do que a tomada de posse desses quatro eleitos, tanto mais que o próximo primeiro-ministro já foi indigitado, já foi convidado a constituir governo e já tem soluções de governo, tendo tudo isto acontecido antes mesmo do apuramento destes círculos eleitorais”, considera a comissão executiva do partido, que obteve apenas 39.316 votos (0,77%) no território nacional.

Além dos emigrantes que não chegaram a receber os boletins de voto, por envio do envelope para moradas erradas, atrasos nos correios que deverão inviabilizar a chegada até à próxima quarta-feira, erros no recenseamento e má interpretação do porte pago pelos serviços postais de alguns países, “não existindo sistema de rastreio dos envelopes com os votos, não é possível saber se os votos foram enviados antes ou depois do dia 6 de outubro”.

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