Altice afasta “medidas alargadas” no alívio das faturas, mas admite analisar caso a caso

A empresa já recebeu pedidos de clientes no sentido de ser aplicado um alívio nas faturas ou moratória no seu pagamento. Alexandre Fonseca garantiu hoje que a empresa analisa e responde “a todos os pedidos”. Mas “medidas alargadas” nesse sentido não serão tomadas neste momento.

O presidente da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, afirmou esta quarta-feira, 25 de março, que neste momento não vai tomar “medidas alargadas” para alívio do preço das faturas dos clientes da operadora. Contudo, a empresa está disponível para analisar “caso a caso” as situações das famílias e empresas com dificuldades em suportar os consumos.

Numa conference call com jornalistas acerca das contas de 2019, Alexandre Fonseca explicou que a empresa tem tido “extraordinária sensibilidade para analisar caso a caso todas as situações”, face ao eventual crescimento dos níveis de consumo das comunicações eletrónicas durante o atual Estado de Emergência que Portugal vive. “Não quero avançar com medidas avulso, vamos analisar à medida que a situação vai evoluindo”, afirmou sobre a possibilidade de aplicar uma moratória ao pagamento das faturas.

A empresa já recebeu pedidos de clientes no sentido de ser aplicado um alívio nas faturas ou moratória no seu pagamento, mas Alexandre Fonseca explicou: “Analisamos e respondemos a todos os pedidos. Neste momento medidas mais alargadas, não iremos tomar”.

Para o CEO da Altice Portugal, as referidas medidas alargadas são “medidas estruturais”, que “terão de ser tomadas no seio da indústria e no seio do setor, para não serem ad hoc [apenas para alguns]”, explicou o gestor português. Ou seja, as medias terão de ser tomadas para todos e não apenas em alguns casos.

Nesse sentido, foi revelado que a Associação de operadores de Telecomunicações (Apritel) “tem um canal aberto com o Governo”, estando a “trabalhar em medidas estruturais”.

Aos jornalistas, o administrador financeiro da Altice Portugal, Alexandre Matos acrescentou que a empresa está “altamente cooperante” com os seus clientes, sobretudo no segmento empresarial.

“Nós estamos a cooperar com grupos económicos e com PME [pequenas e médias empresas] tentando encontrar soluções financeiras ou encontrando instrumentos financeiros. No entanto, não somos uma instituição financeira, somos apenas cooperantes”, afirmou.

A Altice Portugal tem verificado “crescimentos significativos” no consumo dos seus serviços. “Estamos a ver nos serviços fixos e nas redes móveis incrementos significativos naquilo que são as procuras. Os serviços over-the-top como Netflix cresceram cerca de 45% apenas na última semana, o consumo de videoclube cresceu entre 75% a 85% na última semana e o crescimento das redes de dados no serviço fixo está a cima dos 35%”, detalhou.

Apesar do crescimento no consumo das comunicações, Alexandre Fonseca garantiu que a empresa não regista falhas de serviço, “seja na rede fixa, seja na rede móvel, seja nos serviços de televisão”.

Na segunda-feira, ao abrigo do Estado de Emergência, saiu em Diário da República um decreto governamental dando autorização às operadoras para limitar alguns serviços, se os serviços críticos de telecomunicações do Estado ou da população ficarem em risco de colapsar.

“Não há qualquer indício à data que estejamos na iminência de ter de tomar medidas em linha com aquilo que o decreto-lei prevê”, tranquilizou Alexandre Fonseca.

“[Mas] se chegarmos a situações de ter de garantir conectividade a serviços de saúde, em detrimento de serviços de entretenimento ou de jogo online, claramente que a decisão será tomada em detrimento de outros serviços que não são de primeira necessidade”, acrescentou, contudo.

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