Altice avança com aumentos salariais para todos os funcionários, após redução de pessoal (com áudio)

Aumentos salariais serão transversais a todas as unidades do grupo e aos seus cerca de 12.500 funcionários, com o valor a ser fixado num novo acordo de empresa. Altice anunciou hoje um despedimento coletivo de até 250 pessoas, mas a empresa espera que a maioria dos trabalhadores visados aceite sair com acordos de rescisão, com condições mais favoráveis.

A gestão da Altice Portugal vai reunir esta terça-feira com os sindicatos representativos dos trabalhadores da empresa, no dia em que anunciou o despedimento coletivo de até 250 funcionários. O CEO Alexandre Fonseca vai colocar em cima da mesa aumentos salariais para todos os funcionários do grupo, no âmbito de um novo acordo de empresa, entre outras medidas que visam preservar a paz social no grupo dono do MEO, apurou o Jornal Económico.

Os aumentos salariais serão transversais a todas as unidades do grupo e aos seus cerca de 12.500 funcionários, com o valor dessa subida a ser fixado em acordo de empresa. Além disso, a Altice avançou com um programa de bolsas de estudo, com uma dotação anual de 1,5 milhões de euros, para apoiar os filhos de funcionários do grupo que acedam ao Ensino Superior no ano letivo de 2021/2022, entre outras medidas.

A reunião desta tarde terá lugar após o anúncio de um despedimento coletivo de cerca de até 250 trabalhadores, no âmbito de um plano integrado de reorganização que a operadora justifica com o contexto do mercado e regulatório. O operador espera que este número possa ser inferior – rondando uma centena -, com muitos dos trabalhadores visados pelo despedimento coletivo a aceitarem sair com rescisões de mútuo de acordo, com condições mais favoráveis. No despedimento coletivo, os trabalhadores terão direito a 0,95 ordenados por cada ano de serviço, ao passo que nos acordos de rescisão a empresa oferece 1,4 ordenados por cada ano, sabe o Jornal Económico.

Disponibilizando-se a assinar acordos de rescisão por mútuo acordo com os trabalhadores, a Altice assegura “aos trabalhadores o acesso a medidas de proteção social, nomeadamente ao subsídio de desemprego”.

No e-mail enviado aos trabalhadores, a que o JE teve acesso, o CEO Alexandre Fonseca afirma que apesar do “balanço positivo” do Programa Pessoa, que no início de 2020 levou à saída voluntária de cerca de 1.100 pessoas da Altice Portugal, a empresa “ainda está aquém do que é necessário”.

“É meu entendimento e do comité executivo, que chegou agora o momento de iniciar uma nova etapa no âmbito desta transformação da Empresa, com vista à reorganização, reestruturação e racionalização de algumas das suas áreas”, lê-se.

Alexandre Fonseca justifica o despedimento coletivo com o “contexto muito adverso” que o sector de telecomunicações atravessa, desde “o ambiente regulatório hostil, a falta de visão estratégica do país, o contínuo, lamentável e profundo atraso do 5G, bem como a má gestão deste dossier, e ainda as múltiplas decisões unilaterais graves da Anacom e de outras autoridades, sempre com a cobertura da tutela, e que ao longo dos últimos 4 anos destruíram significativamente valor”.

O grupo conta hoje com 12.500 funcionários, dos quais 5.500 foram admitidos nos últimos dois anos. A Altice Portugal investiu 100 milhões de euros em saídas voluntárias e rescisões por mútuo acordo, no mesmo período.

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No despedimento coletivo, os trabalhadores terão direito a 0,95 ordenados por cada ano de serviço, ao passo que nos acordos de rescisão a empresa oferece 1,4 ordenados por cada ano, sabe o Jornal Económico. Por essa razão, a dona da Meo estima que o número final de trabalhadores abrangidos pelo despedimento coletivo ronde uma centena. Administração avança com aumentos salariais e pacote de medidas para assegurar paz social na empresa.

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