A presidente do Santander, Ana Botín, alertou esta terça-feira para o excesso de regulamentação na Europa como um dos riscos que pode prejudicar o crescimento económico do bloco. “A regulação mata a inovação. Precisamos de compreender que, a menos que permitamos que as empresas inovem, não vamos crescer”, disse Ana Botín na Conferência Internacional de Banca Santander 2025, em Madrid.
O excesso de regulação do sistema financeiro pode prejudicar o crescimento económico na Europa e melhorar a sua competitividade face aos Estados Unidos.
“Vamos ter menos crescimento nos próximos 5 anos” disse Ana Botín acrescentando que 0,5 pontos percentuais de menos crescimento económico significa menos 19 milhões de empregos e menos 1,4 triliões de receitas fiscais.
A presidente do Grupo Santander, Ana Botín, estimou em 3,5 biliões a diferença de capital exigido entre os bancos europeus e os norte-americanos nos próximos três anos, após a implementação do Acordo de Basileia III e todas as diversas interpretações dos Níveis II e III no Velho Continente.
“Se não tivéssemos de ter essas almofadas de capital regulatório, se estivéssemos todos ao mesmo nível, apenas a título de exemplo, seriam mais 14 milhões de hipotecas ou mais 87 milhões de créditos a PME, ao longo de um período de 3 anos”, revelou Ana Botín.
O título da conferência “The Urgency of Growth” sugere que a comparação entre a União Europeia e os Estados Unidos ia estar no topo dos debates e confirmou-se. Entre os participantes estavam, para além do CEO do banco, Héctor Grisi; Federico Sturzenegger, Ministro da Desregulação da Argentina; o Ministro da Economia, Carlos Cuerpo; José Luis Escrivá, Governador do Banco de Espanha; e Nadia Calviño, presidente do Banco Europeu de Investimento.
“A nossa competitividade na Europa está a deteriorar-se. Nos últimos cinco ou seis anos, 13.000 novas regulamentações entraram em vigor aqui e 3.500 nos EUA. (…) Continuamos a dizer que queremos uma economia impulsionada pela inovação, mas a regulamentação sufoca a inovação”, enfatizou Ana Botín, referindo-se ao manual de regulamentações bancárias europeias de 95.000 páginas. “São 100 Dom Quixotes e 50 Bíblias. Apoiamos esta revisão, que sei que procura simplificar, mas precisa de ser ambiciosa o suficiente e ir longe o suficiente”, acrescentou.
Os governos europeus estão a debater se devem seguir os esforços da administração Trump para revogar as regras implementadas após a crise financeira mundial de 2008, com alguns a defenderem que o fardo regulamentar está, na verdade, a prejudicar o investimento, o consumo e, em última análise, o crescimento económico, defende a banqueira espanhola.
“Sem crescimento, sem lucros, não há crescimento do capital. A dada altura, mais capital não vai salvar ninguém”, disse Ana Botín, acrescentando que “uma Europa forte precisa de uma economia forte e uma economia forte na Europa precisa de bancos fortes”.
As declarações de Ana Botín vão em contramão com a opinião de alguns dos principais banqueiros centrais do continente que disseram que a Europa deveria evitar a tentação de flexibilizar a regulamentação bancária e, em vez disso, endurecer as regras para partes do setor financeiro que atualmente beneficiam de regras mais flexíveis.
Ana Botín desafiou também a Europa a criar um ambiente de negócios “tão atrativo como o dos EUA”.
A Europa precisa de “um ambiente de negócios tão atrativo como o dos Estados Unidos”. A presidente do Banco Santander, Ana Botín, desafia a Europa a avançar no processo de simplificação regulatória, dando como exemplos não só os Estados Unidos, mas também a Argentina de Javier Milei que “está noutro patamar”.
Ana Botín enfatizou como mensagem principal que “o bem-estar social deriva de uma economia forte” e ligou o crescimento económico à segurança, a principal prioridade atual na Europa. “São duas faces da mesma moeda”, disse.
A responsável questionou a excessiva regulamentação que se estende também a outros setores na Europa. “Porque são necessárias 22 licenças para instalar um painel solar no telhado?”, questionou Ana Botín.
“Uma regulamentação inteligente melhoraria a produtividade em 2% num bloco que não vê qualquer melhoria há muito tempo”, acrescentou.
Ana Botín defendeu ainda a implementação do mercado único de serviços, que poderá acrescentar 10% ao PIB europeu nos próximos anos. “Já se fala nisso há anos. Vamos fazê-lo agora”, insistiu.
Ainda assim Ana Botín reconheceu que os bancos europeus “estão a fazer o seu trabalho bastante bem, melhor do que os americanos em alguns aspetos. Somos eficientes e competitivos”.
No evento participaram também os números da Reserva Federal e do Banco de Inglaterra, Michelle Bowman e Sarah Breeden; para além de Nadia Calviño, Ángel Gurría, Nadia Schadlow, ex-adjunta de Segurança Nacional do Presidente Trump; e Wolfgang Ischinger, presidente da Fundação da Conferência de Segurança de Munique, entre outros.
Esta conferência é um evento que, desde 2008, reúne líderes internacionais para debater as dinâmicas atuais e as megatendências na economia, finanças, tecnologia ou sustentabilidade, com foco em como acelerar o crescimento. Este ano o contexto mundial marcado pela transformação tecnológica e pelas tensões geopolíticas.
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