Ana Botín, presidente do Santander, vê inflação como temporária

Ana Botín, presidente do conselho do Banco Santander, em entrevista à Bloomberg, entrou no debate sobre a força e a persistência da inflação com a visão de que a tendência atual é passageira e impulsionada pela pandemia.

Ana Botín, presidente do conselho de administração do Banco Santander, entrou no debate sobre a força e a persistência da inflação com a visão de que a tendência atual é passageira e impulsionada pela pandemia, avança a Bloomberg.

A presidente do grupo Santander junta-se assim a um coro recente de banqueiros seniores com visões diferentes sobre o fenómeno, com o CEO do Deutsche Bank, Christian Sewing, que referiu na quarta-feira que o salto atual da inflação provavelmente duraria mais do que o esperado.

“Esta é uma questão temporária? Acredito que sim”, disse Ana Botín em entrevista à Bloomberg Television.

Os estrangulamentos persistentes da oferta continuam a criar expectativas de que as pressões sobre os preços possam permanecer altas por algum tempo. A inflação na zona do euro sobe ao ritmo mais rápido desde 2008, impulsionada pela alta dos preços da energia e vários efeitos estatísticos relacionados com a pandemia que devem diminuir no próximo ano, segundo a agência Bloomberg.

Inflação é transitória, mas é preciso vigilância

Não é só o BCE que se esforça para passar a ideia de que a subida atual da inflação é temporária. O Fundo Monetário Internacional (FMI) insistiu hoje que os problemas nas cadeias de abastecimento global e na inflação têm um caráter “transitório” com a reativação da economia, mas afirmou que os bancos centrais devem estar “vigilantes”.

Magdalena Andersson, presidente do comité monetário do Fundo, e pela diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, em conferência de imprensa, no âmbito da assembleia anual da instituição, disse, citada pela Lusa, que “quando há uma disparidade entre a procura e a oferta, que não é capaz de dar uma resposta, isso pressiona os preços”. A subida de preços também responde “ao facto de algumas economias recuperarem mais depressa do que outras”, o que a levou a considerar que a inflação generalizada que se vê a nível global “é transitória”. “Mas vamos estar muito vigilantes, porque há outros fatores que podem pressionar os preços, como os choques climáticos”, adiantou.

Segundo as últimas previsões do FMI, divulgadas esta semana, as economias avançadas deverão terminar o ano com uma inflação em média de 3,6%, que baixará de forma gradual para 2% em meados de 2022.

O Banco Central Europeu também se tem esforçado por defender que a subida da inflação é temporária. Mas, esta quarta-feira, o vice-presidente, Luis de Guindos, sugeriu ser necessário travar subidas salariais à boleia do aumento dos preços.  Num claro recado que não se deve indexar os salários à inflação atual. “Se houvesse efeitos de segunda ordem, esta evolução temporária de subida da inflação tornar-se-ia mais permanente e a reação da política económica deveria ser diferente”, admitiu o espanhol Luís de Guindos citado pelo jornal “El Independiente”. Os efeitos de segunda ordem referem-se à transmissão da subida dos preços ao mercado laboral, através do aumento dos salários.

O vice-presidente do BCE defendeu que, por enquanto, os motivos da inflação são “temporários”, ligados ao adiamento de consumos por causa da pandemia e a dificuldades de fornecimentos de produtos muito específicos.

A taxa de inflação homóloga na Alemanha atingiu 4,1% em setembro, um máximo em 28 anos, devido a um aumento significativo dos preços da energia, que subiram 14,2%, disse esta semana a agência federal de estatística alemã (Destatis) citada pela Lusa. Este aumento, para níveis máximos desde 1993 (quando atingiu 4,3%), tem várias razões, incluindo os efeitos de base dos preços baixos em 2020. Em agosto e julho, a inflação homóloga na Alemanha tinha sido inferior a 4%.

No fim de semana, o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, e o membro do Comité de Política Monetária do BoE (Bank of England), Michael Saunders, reforçaram sinais de que um aumento da taxa de juros no Reino Unido pode ser iminente, também em resposta à subida da inflação.

Nos Estados Unidos, a aceleração do IPC (Índice de Preços do Consumidor) nos EUA continua elevada, aumentando os riscos inflacionistas, segundo uma análise do BPI. “O índice de preços no consumidor (IPC) dos EUA subiu 5,4% em setembro, ligeiramente acima do mês anterior (+0,1 p.p.) e acima das previsões do BPI Research”, refere o daily de hoje do banco.

“Destacaram-se os aumentos das componentes não subjacentes, como os preços dos alimentos e da energia, impulsionados pelos elevados preços do petróleo e do gás. Embora a inflação subjacente esteja a evoluir de forma mais moderada, o forte aumento de componentes subjacentes, geralmente mais estáveis e com um peso considerável no cabaz de consumo, tais como as rendas e rendas imputadas, é motivo de preocupação”, acrescenta o BPI.

“Na sequência do dado de setembro, perante as pressões salariais a começarem a aumentar e dada a persistência de atrasos nos fornecimentos, poderíamos alterar significativamente as nossas previsões, que atualmente são de 4,2% para a inflação média global em 2021 e 2,3% em 2022”, acrescenta ainda a mesma análise.

Na sequência da subida da inflação, os dirigentes da Reserva Federal (Fed) concordaram na sua última reunião que, se a economia norte-americana continuar a melhorar, podem começar a reduzir o programa de compras mensais de títulos de dívida em novembro e encerrá-lo em meados de 2022.

A discussão foi revelada com a publicação está quarta-feira das minutas da reunião do comité de política monetária da Fed (FOMC) realizada em 21 e 22 de setembro.

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