Ana Gomes defende Paulo Pedroso: “Tenho muito orgulho do papel que tem na minha candidatura”

A ex-eurodeputada socialista e pré-candidata à Presidência da República Ana Gomes assume “orgulho” no apoio ao regresso de Paulo Pedroso à política ativa, depois de ter sido constituído arguido no processo Casa Pia mas não ter sido pronunciado em julgado, e diz que foi vítima de uma “tremenda injustiça”.

A ex-eurodeputada socialista e pré-candidata à Presidência da República Ana Gomes saiu esta sexta-feira em defesa do antigo ministro Paulo Pedroso, que vai integrar a estrutura organizativa da sua campanha eleitoral. Ana Gomes assume “orgulho” no apoio ao regresso de Paulo Pedroso à política ativa, depois de ter sido constituído arguido no processo Casa Pia mas não ter sido pronunciado em julgado, e diz que foi vítima de uma “tremenda injustiça”.

“Confio em Paulo Pedroso. Conheço-o bem. É meu amigo. Foi inocentado pelos tribunais portugueses e pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que condenou de resto o Estado português pela tremenda injustiça de que ele foi vítima por parte de erros da nossa justiça”, afirmou Ana Gomes, à RTP, depois de o também candidato a Presidente da República, André Ventura, ter vindo acusar Ana Gomes de ser a “candidata Casa Pia”.

Questionada sobre as críticas de André Ventura, a diplomata e ex-eurodeputada citou a ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama, dizendo que “quando eles jogam baixo, nós jogamos alto”. “Se há quem tenha medo, se incomode, pois que compre um cão. Eu assumo, com orgulho, o apoio a Paulo Pedroso e tenho, de facto, muito apreço pelo papel que ele tem na estrutura organizativa da minha candidatura”, reiterou.

Numa declaração por escrito à agência Lusa, Ana Gomes já tinha referido que tem “o maior orgulho” em poder contar com a colaboração de Paulo Pedroso, “um socialista de sempre, um sociólogo e docente universitário distinto, um militante da esquerda democrática, que exerceu, com competência e seriedade, os mais variados cargos ao serviço da República”, lembrando que estará “sempre ao lado dos injustiçados”.

Paulo Pedroso foi ministro do Trabalho e da Solidariedade do Governo de António Guterres. Foi constituído arguido, em 2003, no processo Casa Pia, indiciado pela prática de crimes de abuso sexual de crianças. Esteve preso preventivamente durante quatro meses e, em 2006, o Tribunal de Instrução Criminal considerou que não havia fundamento para a julgamento, pelo que foi considerado livre de qualquer acusação.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos processou, em 2018, o Estado português a indemnizá-lo em 68 mil euros, por considerar que não havia razões plausíveis dos crimes de violação de menores que levassem à prisão de Paulo Pedroso. O caso ditou, no entanto, um afastamento prolongado da vida política, tendo estado vários anos a trabalhar no estrangeiro. Em janeiro, anunciou ter deixado de ser militante do PS.

Foi casado com a líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, que escreveu recentemente no Facebook que “Paulo Pedroso tem todo o direito de ser o que quiser”. “É um homem livre, sem qualquer culpa que lhe pese ou que lhe possa ser imputada. O respeito pelo Estado de Direito exige que não se condene na rua aquilo que não foi condenado na justiça”, defendeu, salientando que foi “inocentado de uma acusação monstruosa”.

Vou expressar publicamente uma posição que é para mim um imperativo porque o meu silêncio seria cúmplice com mais uma…

Posted by Ana Catarina Mendes on Thursday, 24 September 2020

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