Analistas lembram que PIB vai crescer face aos piores meses da pandemia

“A leitura do segundo trimestre de 2021 acaba por comparar, quer em termos homólogos [mesmo período do ano passado], quer em cadeia [trimestre anterior], com os piores momentos da pandemia em Portugal, que foram o impacto inicial e aquela grande deterioração que sucedeu logo a seguir ao Natal, e que atingiu quase todo o primeiro trimestre do ano”, disse à Lusa Filipe Garcia, da IMF – Informação de Mercados Financeiros.

Os analistas consultados pela Lusa para antecipar a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, conhecida na sexta-feira, lembraram que a comparação será feita face aos piores períodos da pandemia de covid-19 em Portugal.

“A leitura do segundo trimestre de 2021 acaba por comparar, quer em termos homólogos [mesmo período do ano passado], quer em cadeia [trimestre anterior], com os piores momentos da pandemia em Portugal, que foram o impacto inicial e aquela grande deterioração que sucedeu logo a seguir ao Natal, e que atingiu quase todo o primeiro trimestre do ano”, disse à Lusa Filipe Garcia, da IMF – Informação de Mercados Financeiros.

Também Pedro Amorim, da corretora Infinox (que prevê um crescimento de 17,5% em termos homólogos e 3,4% em cadeia), refere que a esperada evolução homóloga “é influenciada por um efeito base, uma vez que existe a comparação sobre um trimestre bastante afetado pela pandemia”.

Já Henrique Tomé, da corretora XTB, também salienta que o crescimento homólogo “deverá revelar-se maior, uma vez que o ano passado foi algo atípico e a economia esteve praticamente paralisada durante a primeira metade do ano”, estimando ainda um crescimento em cadeia superior a 5%.

Os números do PIB do segundo trimestre “de certeza que virão muito fortes”, antecipa Filipe Garcia, advertindo, no entanto, que “há que ter muito cuidado com estes números para não se embandeirar em arco e pensar que querem dizer uma coisa muito boa, porque de facto não querem”.

No entanto, os analistas destacam que o setor do turismo, apesar dos “ziguezagues” – nas palavras de Filipe Garcia – do Reino Unido e da Alemanha quanto ao envio de turistas devido à pandemia, demonstrou alguma solidez.

“O turismo de nacionais em Portugal até está a ter, na minha opinião, um bom comportamento. O que desilude, naturalmente, é a falta de abertura relativamente àqueles que vêm de fora”, destacou Filipe Garcia.

Pedro Amorim salientou que no turismo, “ao contrário do previsto, os efeitos foram positivos, registando melhorias no setor no 2.º trimestre em relação aos períodos anteriores”, e Henrique Tomé considerou que, “apesar de todas as incertezas provocadas pelo aumento do número de casos da variante Delta em todo o mundo, o turismo nacional continua a apresentar uma recuperação gradual”.

Os analistas destacaram ainda outros setores, nomeadamente a indústria e a construção.

“Há muitas empresas, nomeadamente no ramo industrial exportador, que estão a ter um ano muito bom”, vincou Filipe Garcia, ao passo que Henrique Tomé reforçou que “nem todos os setores acabam por reagir da mesma forma”.

Assim, “durante os últimos meses, houve setores que acabaram por sair beneficiados, como o setor tecnológico”, disse o analista da XTB, tendo também a construção “vindo a recuperar consideravelmente” devido à procura de novas habitações.

Pedro Amorim destacou que, “apesar de se ter registado um bom crescimento nos setores da construção e indústria, o consumo privado contribuiu mais em relação ao investimento”.

Em estimativas divulgadas no início do mês, o ISEG apontou para que a economia portuguesa tenha crescido entre os 15% e 16% no segundo trimestre em termos homólogos, correspondendo a um aumento de 4,6% a 5,5% face ao primeiro trimestre.

Já a Universidade Católica estimou que o PIB português terá crescido no segundo trimestre 5% em cadeia e 15,5% face ao mesmo período de 2020.

O ministro de Estado e das Finanças, João Leão aponta para um crescimento da economia portuguesa superior a 4% para este ano, acima do previsto no Programa de Estabilidade (4%).

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) aponta para um crescimento de 3,3%, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) espera 3,7%, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia 3,9% e o Banco de Portugal 4,8%.

 

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