André Ventura quer representar o ID na Convenção de Trump e prepara encontros com Salvini e Le Pen

Presidente do Chega reúne em Bruxelas com dirigentes da família política mais à direita no Parlamento Europeu, garantindo que irá pedir aos seus parceiros para “se afastarem de tudo o que seja extrema-direita” e se concentrarem numa “luta contra o sistema instalado”.

Mário Cruz/Lusa

O presidente do Chega, André Ventura, vai pedir nesta quarta-feira aos dirigentes do Identidade e Democracia (ID), a família política mais à direita no Parlamento Europeu, para ser o seu representante oficial na Convenção do Partido Republicano que decorre em Charlotte, na Carolina do Norte, entre 24 e 27 de agosto, e terminará com a designação do presidente norte-americano Donald Trump como candidato à reeleição a 3 de novembro.

Esse pedido será feito por Ventura numa reunião em Bruxelas com o francês Nicolas Bay, vice-presidente do ID, na qual será formalizada a adesão do Chega ao ID, juntando-se a partidos como a Liga, do ex-vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini; a Reunião Nacional, da ex-candidata presidencial francesa Marine Le Pen; a Alternativa para a Alemanha ou o Partido da Liberdade da Áustria. Neste momento o grupo tem 76 eleitos no Parlamento Europeu, juntando dez partidos de outros tantos países, mas 52 pertencem aos “contingentes” italiano e francês.

Também na reunião será feito um convite para que os dirigentes do ID estejam presentes no congresso do Chega, que vai realizar-se a 19 de setembro. No mês seguinte, já em clima de pré-campanha para as eleições presidenciais de janeiro de 2021, André Ventura vai reunir-se com Marine Le Pen, num encontro marcado para 10 de outubro em Paris, e também com Matteo Salvini, o que deverá ocorrer em Roma, na terceira semana desse mês.

Para o presidente e deputado único do Chega, a integração no ID “significa a possibilidade de lutar por uma Europa diferente, de nações fortes e integradas, e de lutar pela supremacia da civilização europeia a nível mundial”. Quanto ao risco de ficar mais conotado com a extrema-direita pela escolha de família política europeia – depois de os espanhóis do Vox terem preferido ligar-se aos Conservadores e Reformistas Europeus, dos nacionalistas polacos do Partido Lei e Justiça e dos Irmãos de Itália, que serão aliados de Salvini nas próximas eleições -, André Ventura disse ao Jornal Económico que “somos anti-sistema e não extrema-direita”, pelo que pretende “sensibilizar os parceiros europeus para se afastarem de tudo o que seja extrema-direita”, concentrando-se “numa luta contra o sistema instalado”.

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