Os economistas do Banco Mundial (BM) estão otimistas para 2026, ainda que tenham feito uma revisão em baixa para o fecho presente ano: 2,3% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), valor abaixo da média da região, e mantiveram a estimativa de cerca de 20% para a inflação até ao final deste mês. Mas melhores tempos virão: a mesma entidade aponta um crescimento de 2,6%, em 2026, e 2,8%, em 2027. Quanto à taxa de inflação deverá entrar numa curva descendente: 14,7%, em 2026, e 12,6%, em 2027. Claro que, ainda assim, vai continuar a pressionar fortemente o poder de compra e o custo de vida dos angolanos.

Dentro das previsões, há quem esteja mais otimista do que o BM: o Standard Bank, por exemplo, antevê que Angola deverá crescer 2,9% já no próximo ano, depois de uma certa travagem económica em 2025, sobretudo devido à contração do sector petrolífero.

Estima-se que o impacto positivo da estabilidade cambial vai permitir reduzir a inflação e abrir espaço para um eventual corte das taxas de juro. O ambiente externo mais favorável também tem contribuído para que o país estabilize a receita petrolífera, mesmo face à pressão global sobre a produção, e assim deverá continuar segundo as estimativas para o próximo ano.

A importância da diversificação económica é crescente e, em simultâneo, a receita fiscal não petrolífera tem vindo a aumentar, sinalizando uma maior dinâmica nas áreas económicas que não estão dependentes das energias fosseis.

Ao mesmo tempo, o país está a seguir uma estratégia de substituição de importações, para estimular a produção interna e reduzir a dependência de bens fabricados no exterior. É expectável que o plano vá contribuir para um maior equilíbrio financeiro e económico no próximo ano. Mas ter um plano escrito no papel não basta e agora é a produção local que tem de carregar no acelerador para que a estratégia passe, definitivamente, da teoria à prática. Para isso são necessárias não só melhores infraestruturas como uma boa rede de cadeia de frio.

Em Luanda, onde foi escrita esta crónica, respira-se esperança com os olhos postos no futuro.