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Antiga central a carvão do Pego vai ser demolida com explosivos

Simbólicas torres de refrigeração e a chaminé da central – com 116 metros e 225 metros de altura – vão ser demolidas recorrendo ao “uso controlado de explosivos”.
Paulo Cunha/Lusa
19 Fevereiro 2026, 14h09

A antiga Central Termoelétrica a Carvão do Pego começa a ser demolida em março deste ano, anunciou esta quinta-feira a Tejo Energia.

A companhia diz que está a preparar-se para uma “nova fase no processo de reconversão do complexo industrial e na preparação do local para futuros projetos alinhados com a transição energética”.

Recorde-se que a Tejo Energia era a sociedade que juntava a Endesa à TrustEnergy, um consórcio dos franceses da Engie com os japoneses da Marubeni. Mas tudo acabou com dois divórcios: a Endesa e a TrustEnergy separaram-se após o fecho da central do Pego, por discordarem do rumo a dar, e os acionistas da própria TrustEnergy acabaram por divorciar-se também, com a Tejo Energia a ficar nas mãos da Engie.

“A decisão de avançar com o desmantelamento da central surge na sequência da impossibilidade em concretizar o projeto de reconversão energética que a Tejo Energia apresentou ao então Governo português, o qual previa, além da construção de centrais de energia solar fotovoltaica e eólica, a substituição do uso de carvão por biomassa florestal residual local, complementado com a possibilidade de atuar como compensador síncrono e, deste modo, contribuir para a estabilidade da rede elétrica. A proposta foi rejeitada em detrimento de outro projeto”, segundo a Tejo Energia, referindo-se ao projeto da Endesa que venceu o leilão para o ponto de ligação da ex-central.

A demolição vai ter uma duração estimada de três anos, abrangendo todas as infraestruturas associadas à produção de eletricidade a partir do carvão, com o objetivo de repor os terrenos às “suas condições de base, garantindo a sua devolução em plena segurança e conformidade ambiental. O ramal ferroviário e a ponte rodo-ferroviária existentes não serão alvo de qualquer intervenção”.

A operação de desmantelamento e demolição deverá envolver cerca de 80 trabalhadores, “representando um impacto positivo temporário na economia local, nomeadamente nos setores do alojamento, restauração, comércio e serviços da região”.

Já as simbólicas torres de refrigeração e a chaminé da central – com 116 metros e 225 metros de altura – “serão demolidas numa fase final do projeto através do uso controlado de explosivos”.

“Esta operação altamente técnica será realizada por equipas especializadas e certificadas, cumprindo rigorosamente os mais elevados padrões de segurança, engenharia e proteção ambiental, em estreita articulação com as autoridades competentes”, garante a empresa.

A Tejo Energia garante que vai reutilizar equipamentos, reciclar betão para operações de nivelamento, separar e reaproveitar materiais metálico para minimizar o envio de resíduos enviados para aterro.

Durante os trabalhos, prevê-se um “aumento temporário do tráfego rodoviário nas vias de acesso ao complexo industrial, associado à circulação de maquinaria pesada e ao transporte de materiais. Sempre que necessário, serão implementadas medidas de gestão e segurança rodoviária para mitigar eventuais impactos na comunidade”, pode-se ler na nota hoje enviada.

Para terminar, a Tejo Energia garante estar comprometida com a “segurança, a proteção ambiental e a transparência, mantendo uma comunicação regular com as autoridades locais e a população ao longo de todas as fases do projeto. Caso seja necessário, novas atualizações serão divulgadas”.

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