António Costa diz que conversações com Bloco de Esquerda serão avaliadas na próxima semana

Primeiro-ministro indigitado diz confiar na “vontade de estabilidade política” dos antigos parceiros e aponta 21 ou 22 de outubro como data de constituição do próximo Governo.

O primeiro-ministro indigitado António Costa disse nesta quarta-feira, após uma reunião com o Bloco de Esquerda, no final de uma ronda de contactos que durou todo o dia, que irão decorrer nos próximos dias reuniões de trabalho entre socialistas e bloquistas para “ver as condições de convergência” entre os dois partidos que detêm juntos mais de metade dos deputados da nova legislatura. “Para a próxima semana faremos uma avaliação dos trabalhos mais técnicos”, explicou, colocando o horizonte da constituição do Governo para 21 ou 22 de outubro, quando o apuramento dos votos dos emigrantes permitir que a Assembleia da República inicie os trabalhos da XIV Legislatura.

“O essencial é que existe vontade de trabalhar em conjunto e dar continuidade à experiência da legislatura anterior”, disse António Costa, à saída do encontro, garantindo que foram identificados os temas que serão avaliados nas próximas reuniões de trabalho.

De qualquer forma, o primeiro-ministro indigitado realçou não ser essencial chegar a um acordo escrito semelhante ao que permitiu a “geringonça”, referindo-se a “pontos de total convergência” e “pontos de total divergência” nos contactos com o Bloco de Esquerda.

Revelando abertura a acordos pontuais, na medida em que disse ser “agnóstico em matéria de forma de entendimento”, António Costa preferiu sublinhar a “vontade de estabilidade política” que encontrou entre os parceiros dos últimos quatro anos.

 

Bloco apresentou proposta para programa de Governo

Catarina Martins, coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, disse à saída da reunião com o PS que apresentou uma proposta com o objetivo de que “a mesma fique plasmada num programa de Governo”, tal como sucedeu com os acordos de 2015.

No entanto, a líder do terceiro partido mais votado nas últimas legislativas, abordou o cenário em que estas propostas não sejam aceites e clarificou que caso não exista entendimento, existe disponibilidade para discutir medidas de cada Orçamento de Estado.

Catarina Martins considerou à saída deste encontro que a solução inicial garante mais estabilidade e que a mesma visa a recuperação de salários e direitos.

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