António Costa: PS, BE e PCP “não têm de engolir sapos”

No próximo sábado, dia 26, o atual Governo celebra um ano. O primeiro-ministro falou sobre o aniversário da “geringonça” e a relação com os chefes de Estado com quem trabalhou.

Rafael Marchante/Reuters

Em entrevista à revista “Visão”, o primeiro-ministro falou sobre o funcionamento do executivo, prestes a comemorar o primeiro ano desde a tomada de posse. Em declarações à newsmagazine, António Costa refere que nenhum dos partidos que sustentam o Governo – PS, BE e PCP – “tem de engolir sapos”.

“O PCP não teve de passar a ser adepto do euro, nem o Bloco teve de passar a ser adepto do Tratado Orçamental, nem o PS teve deixar de ser o campeão da integração europeia”, acrescenta o primeiro-ministro. Na mesma ótica de relacionamentos, o governante destacou que, no caso europeu, o que importa não são tanto as relações: “Na Europa, as relações pessoais são importantes, mas o decisivo são os resultados”, afirma.

António Costa aproveitou a ocasião para referir que Wolfgang Schäuble “é uma andorinha que não faz a primavera”. Sobre o ministro das Finanças alemão, realçou que “felizmente, não marca o tom da relação que temos com as instituições europeias”.

Na perspetiva do líder do executivo, as opiniões mais recentes sobre o desempenho do Governo português “não correspondem às posições das instituições europeias nem sequer do próprio Governo alemão”.

A propósito da relação que mantém com os dois presidentes com quem trabalhou [Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa], o primeiro-ministro confessa que não tem “nada a apontar” nem a um nem a outro.

No que diz respeito à Caixa Geral de Depósitos, António Costa nega qualquer acordo que dispense os administradores de apresentarem as declarações de rendimentos e de património no Tribunal Constitucional.

Segundo adianta à revista, “o acordo com a administração da Caixa é o que está transposto para a lei que foi aprovada”. “Governar é como conduzir: se há mais trânsito, tiramos o pé do acelerador. Se há menos, carregamos um pouco mais no pedal”, sublinha o primeiro-ministro português.

Ler mais
Relacionadas

“Devolvemos ao país a normalidade”, defende António Costa

Secretário-geral do PS defendeu que Portugal respira um “clima de tranquilidade”, sem sobressaltos para as empresas e famílias no dia-a-dia, com o Governo a dar “paz” ao Tribunal Constitucional e a ter “excelentes” relações institucionais.
Recomendadas

António Guterres promete ser “construtor de pontes” em segundo mandato à frente da ONU

Único candidato formal a secretário-geral das Nações Unidas, por ter sido o único a ser nomeado por um Estado-membro (Portugal) e a ser validado pelo Conselho de Segurança da ONU, António Guterres apresentou-se esta sexta-feira à Assembleia Geral.

Ursula von der Leyen: “Não deveria importar ser-se homem ou mulher. Salário igual para trabalho igual” (com áudio)

A presidente da Comissão Europeia afirmou esta sexta-feira, na sessão de abertura da Cimeira Social, no Porto, que a UE tem uma “economia humana”, mas realçou que a pandemia veio mostrar a necessidade de dar respostas sociais.

António Costa: “Covid revelou a importância de termos um Estado Social forte, mas também múltiplas fragilidades que persistem” (com áudio)

“A recuperação não pode atender apenas à emergência presente. Chegou o momento de combinarmos a emergência com a recuperação”, afirmou António Costa na abertura da Cimeira Social, que se realiza no Porto.
Comentários