António Costa: “Os portugueses gostaram da geringonça e desejam a continuidade da atual solução política”

PS vai renovar diálogo com BE e PCP e fazer também contactos com PAN e Livre.

antonio_costa_legislativas_altis_1
Mário Cruz/Lusa

O líder do Partido Socialista (PS), António Costa, reagiu à vitória do PS, sem maioria absoluta, salientando que o seu partido “ganhou estas eleições e reforçou a sua posição política em Portugal” e que “os portugueses gostaram da geringonça e desejam a continuidade da atual solução política”.

O líder socialista garantiu o PS se vai empenhar “em garantir a solução de estabilidade” e que irá “procurar os parceiros parlamentares” para renovar os acordos.

“Repetiremos também os contactos que há quatro anos estabelecemos com o PAN, de modo a haver um acordo político no horizonte da legislatura”, disse, abrindo ainda a porta ao Livre. “O PCP e o Bloco de Esquerda consoldiaram a sua posição eleitoral. O PAN registou um reforço politicamente relevante”, salientou.

“O PS aumentou e ganhou em votos, aumentou e ganhou em mandatos. É o único partido político que elege deputados em todos os círculos eleitorais em Portugal continental”, afirmou António Costa, em conferência de imprensa, no Hotel Altis, em Lisboa.

O líder socialista afirmou ainda que os resultados desta noite significam que “o PSD e o CDS tiveram a maior derrota histórica da direita em Portugal” e que este “resultado expressa de forma clara a rejeição que os portugueses fazem” de uma campanha marcada por “ataques pessoais”.

 

Recados ao BE e ao PCP

Embora tenha manifestado disponibilidade para negociar com os parceiros da geringonça, Costa também deixou avisos aos dois partidos. “Quem fixou como objetivo impedir uma maioria absoluta do PS tem agora a responsabilidade acrescida de contribuir para a estabilidade na próxima legislatura”.

Renovar a geringonça “não depende só de nós”, disse, sublinhando várias vezes que o intuito do PS é “assegurar estabilidade”. “Se houver vontade [do BE e do PCP], excelente. Se não houver vontade, haveremos de encontrar caminho para essa estabilidade”.

“Cumpre ao PS tudo fazer para garantir a estabilidade. Se outros não nos acompanharem, assumirão as suas responsabilidades”.

O secretário geral frisou que o “espaço natural do diálogo” é com partidos da geringonça. Mas, “se não houver vontade dos outros parceiros na continuidade desta solução, terei de respeitar naturalmente essa vontade, e teremos de prosseguir, como governo do PS, que trabalhará dia a dia para manter essa estabilidade ao longo dos quatro anos”.

Depois de uma campanha em que chegou a considerar como radicais algumas propostas dos parceiros da geringonça, Costa foi questionado sobre as circunstâncias em que terá de dizer “não” ao PCP e ao BE. O secretário-geral do PS sublinhou que “ninguém tem dúvidas de que o equilíbrio desta solução de governo só foi possível graças ao PS”, reiterando que vai continuar o caminho das “contas certas”, com o controlo do défice público e a redução da dívida pública, sem pôr em causa a participação de Portugal no projeto europeu.

“Ninguém tenha dúvidas de que a força essencial de dizer sim ou não é o que impõe o interesse nacional. Se o interesse nacional se impuser, diremos não, qualquer que seja a consequência que retirem da nossa proposta”.

Ler mais
Recomendadas

PremiumPSD remete alterações ao OE para depois de eleições internas

Propostas dos sociais-democratas só dão entrada no Parlamento a partir da próxima semana. Direção de Rui Rio chama a si proposta de redução do IVA da eletricidade por ter “relevo político nacional”.

PremiumCarlos Zorrinho: “OE foi muito tático na forma como foi discutido e votado”

Eurodeputado eleito pelo PS entende que as abstenções do BE, PCP, PEV e Livre mostram vontade de continuar a negociar com o Governo. E defende uma transição digital e energética “mais justa” e concorda com propostas de redução do IVA da eletricidade.

“Este governo tem um problema que é a imprevisibilidade”

João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, à Antena1/Jornal de Negócios, diz que “este governo tem um problema que é a imprevisibilidade”, uma vez que não há acordo com os partidos à esquerda e por isso não se sabe que posição vão tomar.
Comentários