António Ramalho: “Manter um Portugal exportador já não é um desejo, é um dever”

“A verdade é que os próximos anos serão anos de enorme desafio, porque o comércio internacional já em 2019 dá os primeiros indícios de estagnação, mas é a Covid-19 que vai deixar sequelas neste quadro de globalização”, disse o CEO do Novo Banco, durante a 15.ª edição do Portugal Exportador, que tem o Jornal Económico como media partner.

Cristina Bernardo

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, defendeu esta quarta-feira que um dos desígnios para o país tem de ser as exportações, num futuro pós-Covid-19, relembrando que em 2019 as exportações tinham um peso de cerca de 44% do produto interno bruto (PIB) português. António Ramalho falava na sessão de abertura da 15.ª edição do Portugal Exportador, que decorre via online e que tem o Jornal Económico como media partner.

“A verdade é que os próximos anos serão anos de enorme desafio, porque o comércio internacional já em 2019 dá os primeiros indícios de estagnação, mas é a Covid-19 que vai deixar sequelas neste quadro de globalização”, disse. Por isso, o CEO do Novo Banco acredita que “manter um Portugal exportador já não é um desejo, é um dever”.

Além da correção que o comércio internacional indiciava no último ano, a pandemia da Covid-19 veio levantar obstáculos à “confiança da globalização sanitária” e na mobilidade local e internacional. No caso português, cujo objetivo era fixar o peso das exportações no PIB em 45% segundo o banqueiro português, a superação desses obstáculos será o grande desafio para Portugal, cujas exportações têm crescido sem para desde 2005 (27,1% do PIB).

As exportações têm sido um dos “elementos fundamentais” para Portugal, consolidando uma “economia aberta e exportadora”. Para manter esse posicionamento, António Ramalho diz que  o futuro pós-Covid-19 tem de ser preparado “rapidamente”.

Nos últimos quinze anos, o sucesso das exportações estava muito associado ao sucesso do turismo nacional, “que representou um valor significativo no quadro das exportações (19%, cerca de 18,4 mil milhões de euros no PIB)”, mas também com o apoio do setor têxtil e os setores diversificados dos transportes.

“Demonstraram uma nova visão da economia portuguesa”, alterando o tecido empresarial, segundo António Ramalho. “Muito mais assente em produtos transacionáveis, menos rentista, menos protegida, mais concorrencial, até mais surpreendente”, acrescentou.

“Nesse sentido, o Novo Banco é um banco preparado para o futuro. Tem um histórico passado, que todos nós conhecemos, que só foi possível fazer sobreviver com o extraordinário suporte do Estado, das suas equipas e dos seus clientes. Agora o futuro é pós-Covid. Aqui, a exportação vai ter uma importância tão relevante como aquela que teve nos últimos quinze anos”, concluiu.

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