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APEMIP alerta para desaceleração do mercado imobiliário após recordes de 2018

“É preciso que haja uma renovação do ‘stock imobiliário’, dirigido para a classe média e média baixa. Não adianta dizer que está a haver construção, quando quem atua no mercado sabe bem que a que há está a ser dirigida essencialmente para um segmento de luxo. Também é necessária, mas a urgência é outra: equilibrar a oferta e a procura”, considera Luís Lima.
25 Março 2019, 23h07

A Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) alertou, esta segunda-feira, para uma previsível desaceleração do mercado imobiliário já no primeiro trimestre de 2019, depois do recorde de transações de habitações registado em 2018.

Depois dos recordes atingidos em 2018, a APEMIP antecipa que o mercado imobiliário português desacelere. A associação adianta que essa tendência deverá ser reconhecida já no primeiro trimestre do ano.

O ano de 2018 foi um ano positivo que manteve a rota de crescimento do setor imobiliário em Portugal. Gostaria que em 2019 se mantivesse este mesmo percurso, mas temo que já no primeiro trimestre do ano possamos denotar algum decréscimo no número de transações, que se prende essencialmente pela ausência de stock imobiliário”, sustenta o presidente da APEMIP em comunicado.

Segundo Luís Lima, “há poucos ativos no mercado e os que existem não correspondem às necessidades e possibilidades das famílias portuguesas”. Ainda assim, a associação afasta a hipótese de uma bolha imobiliária, por considerar que “não estão, de todo”, reunidas as condições necessárias para tal: “Dificilmente haverá uma bolha. O que há – e o problema com que nos deparamos é essencialmente este – é um forte desequilíbrio entre a oferta e procura. Há procura, há clientes para todo o tipo de mercado, nacionais e estrangeiros, mas não há casas para vender, e as que há, sobretudo nas grandes cidades, estão a preços acima do que seria desejável”, afirma Luís Lima.

Para o dirigente associativo, a única solução para o atual problema habitacional é “o regresso à construção nova, para aliviar os preços do mercado e dar resposta a quem precisa”.

“É preciso que haja uma renovação do ‘stock imobiliário’, dirigido para a classe média e média baixa. Não adianta dizer que está a haver construção, quando quem atua no mercado sabe bem que a que há está a ser dirigida essencialmente para um segmento de luxo. Também é necessária, mas a urgência é outra: equilibrar a oferta e a procura”, considera.

O valor das transações de alojamentos totalizou 24,1 mil milhões de euros em 2018, mais 24,4% do que em 2017, e o Índice de Preços da Habitação (IPHab) registou uma variação média anual de 10,3%, mais 1,1 pontos percentuais do que a registada em 2017.

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