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Apenas 32 empresas são responsáveis por metade das emissões globais de CO2

Estudo do carbon Majors mostra concentração de poluição de CO2 em grandes petrolíferas, principalmente, empresas do Estado
23 Janeiro 2026, 13h24

O mais recente relatório do Carbon Majors, base de dados que traça emissões de gases com efeito de estufa a partir da produção de combustíveis fósseis e cimento, aponta para 34,7 mil milhões de toneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e) atribuídas a 166 empresas em 2024. O valor representa um aumento de 0,8% face a 2023.

A análise mostra ainda que 32 empresas foram responsáveis por mais de metade das emissões globais de dióxido de carbono associadas a combustíveis fósseis, uma concentração crescente em relação a 2019, quando eram 38 as empresas nesse grupo.

Segundo o Carbon Majors, 17 das 20 empresas que emitiram CO2 no mundo são controladas por Estados. Juntas, essas companhias foram responsáveis por 38% de todas as emissões do setor fóssil em 2024. O relatório destaca ainda que a maioria das empresas estatais aumentou as emissões entre 2023 e 2024, enquanto a maioria das privadas reduziu as suas emissões no mesmo período.

Segundo o site Um só Planeta, entre as empresas destacadas estão a Saudi Aramco, líder do ranking, seguida de gigantes estatais da Rússia, Irão, Emirados Árabes Unidos, Índia, Argélia, Iraque e Qatar. “As únicas privadas no top 20 são a Shell, Chevron e ExxomMobil”. A mesma fonte diz ainda que em 2024, a Aramco respondeu sozinha por 1,7 mil milhões de toneladas de CO₂, principalmente decorrentes do petróleo que exporta. “Esse montante seria suficiente para colocá-la, se fosse um país, como o quinto maior emissor do mundo, atrás apenas da Rússia. A ExxonMobil, por sua vez, lidera entre as empresas privadas, com 610 milhões de toneladas de CO₂ libertadas no mesmo ano — um volume maior do que o de países como a Coreia do Sul.” Veja a tabela abaixo com o ranking partilhado no estudo da Carbon Majors.

As 10 principais empresas por emissões (2024)

A concentração das emissões nas maiores empresas também está a aumentar. O relatório aponta que dois terços das empresas mais poluentes registaram crescimento de emissões, impulsionado por fusões e aquisições e expansão da produção.

O relatório surge num contexto climático crítico. De acordo com o serviço Copernicus da União Europeia, 2024 foi o primeiro ano em que a temperatura média global excedeu 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais (1850-1900). Embora o limite do Acordo de Paris seja calculado em médias multidecenais, este marco é considerado um sinal de alerta. Para o cumprir seria necessário reduzir as emissões em 45% até 2030.

 


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