O mais recente relatório do Carbon Majors, base de dados que traça emissões de gases com efeito de estufa a partir da produção de combustíveis fósseis e cimento, aponta para 34,7 mil milhões de toneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e) atribuídas a 166 empresas em 2024. O valor representa um aumento de 0,8% face a 2023.
A análise mostra ainda que 32 empresas foram responsáveis por mais de metade das emissões globais de dióxido de carbono associadas a combustíveis fósseis, uma concentração crescente em relação a 2019, quando eram 38 as empresas nesse grupo.
Segundo o Carbon Majors, 17 das 20 empresas que emitiram CO2 no mundo são controladas por Estados. Juntas, essas companhias foram responsáveis por 38% de todas as emissões do setor fóssil em 2024. O relatório destaca ainda que a maioria das empresas estatais aumentou as emissões entre 2023 e 2024, enquanto a maioria das privadas reduziu as suas emissões no mesmo período.
Segundo o site Um só Planeta, entre as empresas destacadas estão a Saudi Aramco, líder do ranking, seguida de gigantes estatais da Rússia, Irão, Emirados Árabes Unidos, Índia, Argélia, Iraque e Qatar. “As únicas privadas no top 20 são a Shell, Chevron e ExxomMobil”. A mesma fonte diz ainda que em 2024, a Aramco respondeu sozinha por 1,7 mil milhões de toneladas de CO₂, principalmente decorrentes do petróleo que exporta. “Esse montante seria suficiente para colocá-la, se fosse um país, como o quinto maior emissor do mundo, atrás apenas da Rússia. A ExxonMobil, por sua vez, lidera entre as empresas privadas, com 610 milhões de toneladas de CO₂ libertadas no mesmo ano — um volume maior do que o de países como a Coreia do Sul.” Veja a tabela abaixo com o ranking partilhado no estudo da Carbon Majors.
As 10 principais empresas por emissões (2024)

A concentração das emissões nas maiores empresas também está a aumentar. O relatório aponta que dois terços das empresas mais poluentes registaram crescimento de emissões, impulsionado por fusões e aquisições e expansão da produção.
O relatório surge num contexto climático crítico. De acordo com o serviço Copernicus da União Europeia, 2024 foi o primeiro ano em que a temperatura média global excedeu 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais (1850-1900). Embora o limite do Acordo de Paris seja calculado em médias multidecenais, este marco é considerado um sinal de alerta. Para o cumprir seria necessário reduzir as emissões em 45% até 2030.
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