Apesar da economia resiliente, baixas taxas juro deverão apertar resultados dos bancos norte-americanos

A época de resultados trimestrais nos Estados Unidos arranca esta semana com os seis maiores bancos de Wall Street, que apresentarem contas. As baixas taxas de juro deverão ser o maior aperto às receitas da ‘elite’ financeira norte-americana. Subidas dos resultados em segmentos de negócio não ‘core’ deverão suportar resultados.

REUTERS/Eric Thayer

Os seis maiores bancos norte-americanos apresentam esta semana os resultados relativos ao quarto trimestre de 2019. Na quinta-feira, dia 16, saberemos se o lote das instituições de crédito que compõem a ‘elite’ financeira dos Estados Unidos ultrapassou a fasquia dos 120 mil milhões de dólares de lucros registados em 2018 quando o Morgan Stanley divulgar as contas trimestrais, o último dos ‘big six’ de Wall Street a apresentar resultados.

O JP Morgan Chase, o Wells Fargo e o Citigroup apresentam resultados esta terça-feira, enquanto o Goldman Sachs divulga as contas amanhã. O Bank of America e o Morgan Stanley encerram este lote, ao divulgarem resultados na quinta-feira, antes da abertura dos mercados.

O desempenho do setor financeiro é auscultado de perto pelos investidores e analistas porque é visto como um espelho do estado da economia. Há um ano, receava-se que o arrefecimento da economia norte-americana pudesse afetar os resultados do setor em 2019.

No entanto a economia norte-americana continuou resiliente – está no maior ciclo de expansão da história – suportada com o forte consumo interno, que representa cerca de dois terços da economia, e com a taxa de desemprego mais baixa dos últimos dos 50 anos. Factores que ajudam a explicar parcialmente a subida registada pelo índice KBW – o parâmetro de referência para os analistas do setor – cerca de 13% no último trimestre de 2019, acima do crescimento de 9% do S&P 500 no mesmo período.

Havia ainda outro receio que veio a materializar-se: a descida das taxas de juro, que ‘comem’ a margem financeira dos bancos – a diferença entre os juros cobrados pelos empréstimos concedidos e os juros pagos aos depositantes. Em 2019, a Reserva Federal norte-americana cortou três vezes a taxa de juro diretora que está agora no intervalo 1,5% e 1,75%.

Apesar de as baixas taxas de juro pressionarem as receitas dos bancos pelos empréstimos que concedem, incentivam as instituições financeiras a aumentar a concessão de crédito e reduzir o que pagam pelos depósitos. Segundo o “The Wall Street Journal”, os analistas do KBW esperam que os grandes bancos registem um aumento das receitas de cerca 6% face a dezembro de 2019, mas estimam que estas caíam 6% em cadeia.

O foco estará do outro lado do balanço dos bancos: nas receitas que os bancos realizam em operações non-interest, como a gestão de riqueza. As receitas destes segmentos de negócio apresentam uma tendência de crescimento desde o quarto trimestre de 2017, tendo chegado aos 64,4 mil milhões de dólares nos últimos três meses do ano passado, sendo expectável que não invertam a tendência no último trimestre de 2019.

As baixas taxas de juro incentivam não apenas maior concessão de crédito ao consumo, mas também as operações de refinanciamento de empréstimos já concedidos. No terceiro trimestre de 2019, os bancos norte-americanos fizeram 700 mil milhões de dólares em hipotecas, o valor mais elevado desde a crise financeira, segundo um estudo da Inside Mortgage Finance, citado pelo “The Wall Street Journal”.

A banca de investimento deverá ser outro segmento de negócio a suportar os resultados e deverão superar o que foi registado em termos homólogos, mas apenas porque há doze meses foram fracos.

As previsões de Wall Street

O Citigroup apresenta os resultados esta tarde, antes da abertura de Wall Street. As estimativas apontam para um ganho por ação de 1,84 dólares e receitas no valor de 17,89 mil milhões de dólares.

Também o JP Morgan Chase apresenta resultados hoje antes da abertura dos mercados. O ganho por ação estimado situa-se nos 2.34 dólares e as receitas estimadas ascendem a 27,92 mil milhões de dólares.

O Wells Fargo apresenta à mesma hora e deverá registar um ganho por ação de 1,12 dólares e receitas de 20,12 mil milhões.

Os analistas antecipam que o Goldman Sachs apresente um ganho por ação de 5,49 dólares na quarta-feira, e apontam que as receitas ascendam a 8,49 mil milhões de dólares.

Na quinta-feira, será a vez do Bank of America divulgar resultados trimestrais. Os analistas apontam para um ganho por ação de 0,68 dólares e receitas na ordem dos 22,38 mil milhões.

O Morgan Stanley será o último dos grandes a apresentar resultados. Os analistas estimam que o banco apresente um ganho por ação de 1,03 dólares e receitas de 9,77 mil milhões de dólares na quinta-feira antes da abertura dos mercados.

 

Ler mais

Recomendadas

Moody’s mantém rating do CaixaBank e põe o do Bankia em revisão para ‘upgrade’

A agência de notação financeira norte-americana manteve a perspetiva estável do banco espanhol que detém o BPI.

BES: Depoimento de Carlos Costa no recurso da KPMG a coimas do BdP foi adiado

O Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão acabou por ouvir apenas o perito Pedro Pereira, técnico superior do BdP, num depoimento que prosseguirá na próxima quinta-feira.

Deutsche Bank quer fechar 100 balcões nos próximos anos na Alemanha

O Deutsche Bank possui atualmente cerca de 500 agências bancárias próprias, além das 800 da sua subsidiária Postbank, e, no final da reestruturação, pretende ter cerca de 400 balcões, sem adiantar quantos trabalhadores serão abrangidos por este processo.
Comentários