Sofia Frère: “Apoiar a educação é ajudar Portugal”

Mais bolsas de ação social, de mobilidade e de formação em competências transversais, aprofundamento do apoio ao voluntariado e regresso da European Innovation Academy são algumas novidades para 2021. No próximo ano, as instituições apoiadas vão poder contar com cerca de 5,5 milhões de euros do Santander.

Na reta final de 2020, Sofia Frère faz o balanço dos apoios concedidos pelo Santander Universidades num ano atípico e excecionalmente difícil para o ensino superior. O rosto do principal investidor privado do sector em Portugal avança as novidades para o próximo ano.

 

O que podem as Universidades e os politécnicos esperar do Santander Portugal no próximo ano?
A nossa ideia é manter as linhas de atuação atuais, que assentam nos três eixos que definimos como estratégicos: Educação, Empreendedorismo e Empregabilidade, que, em conjunto, representam já cerca de 75% das verbas que alocamos ao universo do ensino superior.

 

Qual o ‘budget’ para apoiar o ensino superior em 2021?
Será muito similar ao deste ano. O nosso plano para 2021 inclui uma verba na casa dos 5,5 milhões de anos.

 

Começando pelo primeiro eixo, a Educação, quais são os vossos objetivos?
Temos como objetivo promover o acesso e a permanência dos estudantes no ensino superior de forma inclusiva e, por isso, queremos aumentar o número de bolsas, particularmente as Bolsas Santander Futuro, que se destinam a estudantes universitários com recursos económicos limitados. Também temos intenção de reforçar as Bolsas Santander Global, que, no fundo, são complementares aos programas de mobilidade como o Erasmus, isto, naturalmente, se o contexto o permitir.

Pode estabelecer a fasquia do crescimento?
O número das Bolsas Santander Futuro poderá crescer para 1.400-1.500 no próximo ano. Este ano atribuímos à volta de 800 e em 2019 foram cerca de 200. Nas bolsas de mobilidade internacional , não sabemos ainda com quantas vamos fechar o ano, pois as convocatórias estão ainda em curso, mas é seguro que queremos aumentar.

 

Na vertente do segundo “E”, Empreendedorismo, o que se anuncia para o próximo ano?
O empreendedorismo universitário é cada vez mais importante e o Santander Universidades quer acompanhar as instituições do ensino superior nos seus planos para orientarem e melhorarem as capacidades criativas e empreendedoras das suas comunidades académicas. No próximo ano vamos fazer mais uma edição da European Innovation Academy, suspensa em 2020 devido à pandemia. Já temos confirmada a presença de 150 estudantes portugueses e cerca de 600 estrangeiros. Está pensado para meados do ano, durante o mês de Julho e é um evento que consideramos muito relevante pela sua qualidade e pelo know-how que trás para todo o ecossistema universitário.

 

A empregabilidade é ainda mais importante em período de crise económica, como este que atravessamos. Quais os vossos projetos nesta área?
No âmbito da Empregabilidade, o nosso objetivo é facilitar a integração na vida ativa, melhorando as competências dos alunos para potenciar o seu valor. As bolsas de melhoria de skills não se destinam apenas a universitários, são extensíveis a docentes, que eventualmente venham a precisar de reforçar competências. A aposta é naquilo que designamos por upskilling, no caso de uma melhoria de competências sociais, por exemplo, e reskilling, no caso da reformulação do conjunto de competências já adquiridas. Vamos também trabalhar em alguns projetos com empresas.

O facto de o Santander Universidades estar integrado numa unidade global internacional permite uma série de sinergias e vantagens que podem ser capitalizadas, quer pelas universidades e politécnicos, quer pelos próprios estudantes portugueses, que ficam com uma visão mais alargada e oportunidades mais amplas. A nossa verdadeira missão é contribuir para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade em geral. Como diz a nossa presidente, Ana Botín, o desenvolvimento social e económico tem que andar a par. De facto, apoiar a educação é ajudar a sociedade e ajudar Portugal.

 

Pode exemplificar uma Bolsa de ‘Skills’?
Sim. Neste momento, estamos a lançar Bolsas que visam melhorar Skills para quem queira melhorar o inglês técnico, com o intuito, por exemplo, de prosseguir uma carreira internacional. Há cerca de um mês lançámos uma bolsa para reforçar competências de liderança em mulheres jovens. A capacitação para ministrar aulas online através de ferramentas digitais é um exemplo de tema possível. Todas as oportunidades para bolsas são divulgadas nas nossas plataformas digitais, em: www.bolsas-santander.com e de empreendorismo em www.santanderx.com

 

O que ganham as parcerias no eixo da Empregabilidade?
Estamos a trabalhar numa outra área muito interessante, que é a da proximidade do banco aos universitários logo por via do seu percurso académico. Uma forma diferente de estágio. Ou seja, queremos impulsionar projetos com as instituições, que permitam ter, por um lado, proximidade aos jovens talentos e, pelo outro lado, abrir-lhes o acesso à vida de uma empresa, desenvolvendo projetos em conjunto com as nossas equipas.

 

Nos últimos anos, o Santander Universidades apostou no voluntariado universitário. Mantém-se a aposta?
De facto, nos últimos quatro anos lançámos o Prémio de Voluntariado Universitário Santander, uma experiência muito interessante que em 2020, fruto das circunstâncias, acabámos por transformar no Prémio Santander UNI.COVID-19, um concurso que teve grande aceitação por parte dos estudantes – registámos quase 350 candidaturas nas três fases do concurso. Com estes resultados, vamos agora fazer o balanço final e lançar uma formação de apoio à criação de projetos de voluntariado e de impacto social. Vai ser lançado em conjunto com a Universidade do Porto e chamar-se U.Porto Santander Inspira-te, mas está aberto a toda a comunidade académica: estudantes, docente e não docentes.

 

Do que se trata efetivamente?
No fundo é um conjunto de workshops, uma formação de curta duração para quem quiser desenvolver projetos na área do voluntariado e de impacto social. O voluntariado universitário, para o qual os alunos revelam cada vez maior tendência e apetência, é algo que queremos continuar a promover. O formato dos nossos apoios nesta área para o próximo ano ainda não está totalmente fechado.

 

Os prémios são outra componente dos apoios.
Sim. Promovemos o Prémio Científico Mário Quartin Graça 2020 para teses de doutoramento em temas com interesse mútuo para Portugal e América Latina, o Prémio Primus Inter Pares para finalistas das áreas de economia e gestão. Mas temos muitos programas específicos em parceria com universidades e politécnicos, onde destaco o prestigiado Prémio Universidade de Coimbra.

 

As parcerias são uma vertente estruturante do Santander Universidades. Quantos parceiros têm, atualmente? Qual é a abrangência da rede?
Existem cerca de 50 convénios com instituições de ensino superior, universidades e politécnicos , um pouco por todo o país, do Litoral, Interior, Madeira e Açores. A nossa abrangência é nacional. Os convénios oferecem inúmeras vantagens às Instituições de Ensino Superior, mas permita-me que destaque um, o network de que universidades e politécnicos portugueses podem beneficiar ao participar numa rede que envolve mais de 1.300 universidades parceiras do Grupo Santander em 33 países. Acresce que ciclicamente há reuniões de líderes de universidades e politécnicos, o maior fórum do género que permite a troca de experiências e, eventualmente, parcerias. O apoio do Santander não se traduz numa dotação pura e dura, mas também em muitas iniciativas que trazem muito valor para todos os envolvidos, Instituições e os seus próprios alunos.

 

Aumentar a rede é uma ambição?
É. Temos a consciência que a nossa oferta é de grande valor para as instituições e para os seus alunos. As universidades parceiras têm acesso direto a todos os nossos programas, alguns dos quais internacionais, corporativos, que divulgamos via universidades.

 

Diretamente, que relação tem o banco com os estudantes do ensino superior?
O Santander, enquanto banco e já numa vertente um pouco mais orientada por aspectos comerciais, tem uma oferta para universitários com condições especiais, como, por exemplo, isenção do pagamento de manutenção de conta, de cartão de débito e MB Way até aos 25 anos, possibilidade de acesso ao crédito de ensino, bem como todo um conjunto de inovações digitais especificamente em meios de pagamento e, claro, informação em primeira mão sobre todas as oportunidades que criamos e lançamos no âmbito do projeto do Santander Universidades

 

O ano termina daqui a três semanas. Pode fazer o balanço dos apoios concedidos?
Globalmente, contamos mais de 4.000 beneficiários diretos nos programas dos chamados “3 ES” – Educação, Empreendedorismo e Empregabilidade em 2020. O número aumenta significativamente se incluirmos todos os beneficiários indiretos no âmbito dos projetos de voluntariado, investigação e outros.

 

Até à data, quanto investiu o Santander Universidades no ensino superior em Portugal?
Iniciámos atividade em Portugal em 2003 e já vamos a caminho dos 60 milhões de euros de apoio ao ensino superior. Fomos evoluindo na forma, isto é no montante, e nos conteúdos e programas. Cada vez estamos mais “ricos” em termos dos próprios conteúdos e isso, para nós, é tão importante como o próprio dinheiro investido.

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