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APREN e associações europeias defendem papel das renováveis e o armazenamento em baterias

O apagão ibérico deve ser visto como um momento de aprendizagem coletiva, onde o potencial das renováveis e do armazenamento para aumentar a resiliência é plenamente reconhecido e potenciado, defendem as a APREN (Associação Portuguesa de Energias Renováveis), juntamente com a SolarPower Europe, a UNEF (União Espanhola de Energia Fotovoltaica) e a Global Renewables Alliance (GRA), num statement conjunto.
Um grupo de pessoas aguarda o restabelecimento da luz no Bairro da Liberdade, devido ao apagão que afeta Portugal de Norte a Sul e outros países europeus, em Lisboa, 28 de abril de 2025. O Governo criou um grupo de trabalho para acompanhar o apagão que afeta Portugal de Norte a Sul e outros países europeus e aponta que o problema “terá tido origem” fora de Portugal. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
20 Março 2026, 15h45

A ENTSO-E publicou o seu relatório sobre as causas principais do apagão ibérico de 28 de abril de 2025, bem como recomendações para ajudar a prevenir incidentes semelhantes no futuro.

O documento, elaborado por um painel de peritos europeus, identifica as principais falhas que levaram ao colapso do sistema elétrico e apresenta recomendações para reforçar a resiliência da rede europeia.

Na sequência disso, a APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis, a SolarPower Europe, a associação espanhola de energia fotovoltaica (UNEF) e a Global Renewables Alliance (GRA) vieram reiterar o seu apelo a um investimento acelerado na resiliência da rede, na estabilidade e na flexibilidade do sistema, em particular através da possibilidade de as energias renováveis fornecerem controlo dinâmico de tensão e da facilitação da integração de armazenamento em baterias e inversores formadores de rede.

No statement conjunto são destacadas as lições aprendidas e defende o papel positivo das renováveis na estabilidade futura da rede.

O apagão, considerado o mais grave na Europa em mais de duas décadas, ocorreu no dia 28 de abril de 2025 às 11h33 em Portugal e resultou de uma cadeia de eventos iniciada no sul de Espanha, com sobretensões que provocaram desligamentos em cascata de unidades de produção, principalmente renováveis (solar e eólica).

Apesar de as energias renováveis representarem uma fatia significativa da geração (frequentemente acima de 60%-70% no sistema ibérico), o relatório factual anterior (outubro 2025) e o final esclarecem que o problema não decorreu de “excesso” de renováveis, mas sim da falta de capacidade de controlo dinâmico de tensão por parte destas fontes na altura do incidente — algo que não era obrigatório por regulamentação na época.

As associações signatárias sublinham que o relatório põe fim a meses de especulações e rumores infundados, alertando contra a atribuição simplista de culpas a tecnologias específicas em incidentes futuros. Elas enquadram o evento no contexto da transição energética acelerada: a produção renovável cresceu rapidamente em toda a Europa — tornando-se a maior fonte de eletricidade na União Europeia —, mas o investimento e a modernização das redes não acompanharam o mesmo ritmo.

Um avanço importante mencionado no statement é a atualização espanhola do Procedimento Operacional 7.4, iniciada em 12 de junho de 2025, que permite às energias renováveis contribuir ativamente para o controlo de tensão na rede.

A implementação completa foi concluída em 17 de março de 2026, fortalecendo o sistema e tornando-o mais preparado para gerir variabilidade e sobretensões.

As associações defendem que, com o enquadramento adequado, as renováveis aliadas a sistemas de armazenamento em baterias podem reforçar a estabilidade da rede, contribuindo para uma eletricidade mais limpa, barata e menos dependente de combustíveis fósseis importados. Reiteram o apelo a investimentos acelerados em resiliência, incluindo controlo dinâmico de tensão por parte das renováveis;
integração facilitada de armazenamento em baterias; e inversores formadores de rede (grid-forming). Estas tecnologias já estão disponíveis e devem ser adotadas para gerir melhor a variabilidade, manter níveis de tensão estáveis e assegurar uma segurança energética baseada em fontes renováveis.

As entidades envolvidas — APREN, SolarPower Europe, UNEF e GRA — manifestam ainda disponibilidade para colaborar com operadores de sistema e demais stakeholders na resolução destes desafios, em sistemas de todas as escalas.

 


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