As cidades do futuro já chegaram

A transformação digital associada aos SIG é a tempestade perfeita para o desenvolvimento das cidades inteligentes automatizadas, sustentáveis e inclusivas.

A população mundial continua a crescer e a deslocar-se para as cidades. Nunca como antes foi importante ter cidades inteligentes que respondem às necessidades das pessoas que nela habitam. Os pilares da transformação digital e os sistemas de informação geográficos estão a contribuir para que a vida nas cidades se torne mais sustentável e mais adaptada às reais necessidades das pessoas. A redução de custos é também um contributo para o surgimento de novas soluções que devem ser interoperacionais entre si.
As cidades estão a mudar. E a tecnologia está a ajudar. Os sensores, a Internet das Coisas, as redes de telecomunicações cada vez mais rápidas e resilientes, os sistemas de informação geográfica (SIG), o cloud computing, a big data, as redes sociais integradas com dados, muitos deles já existentes nas organizações, podem melhorar a mobilidade dos cidadãos, contribuir para poupar energia, acelerar os serviços de segurança e de primeiros-socorros. A imaginação é o limite.
Uma cidade é considerada smart quando os investimentos em infraestruturas e serviços de tecnologias de informação e comunicações contribuem para o desenvolvimento de uma economia sustentável e para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos ao mesmo tempo que asseguram a correta gestão dos recursos da cidade. A definição é do Parlamento Europeu foi escolhida pela SAP, a gigante de software de gestão, que está atualmente a investir fortemente na investigação & Desenvolvimento neste segmento.
Em breve, o planeta terá 10 mil milhões de pessoas, três quartos das quais a viver em cidades. 2050 é o ano em que esse número será atingido e uma grande percentagem destas pessoas já nasceu. As cidades têm de se preparar para essa realidade.
E o trabalho já começou. Diariamente, as cidades geram enormes quantidades de dados que muitas vezes são simplesmente desperdiçados. As tecnologias de informação e comunicações disponíveis actualmente permitem recolher, processar e analisar dados, transformando-os em informação útil e conhecimento que, com recurso a inteligência artificial, comunicação machine-to-machine ou outras tecnologias actualmente disponíveis, que podem conduzir à melhoria da qualidade de vida nessas mesmas cidades.

Melhorar a qualidade de vida
A cidade inteligente não é algo inalcançável. Luís Grincho, diretor de Database & Data Management, da SAP Portugal, explica que, nas cidades inteligentes, a tecnologia é utilizada em proveito da urbanização e está, em simultâneo, focada na melhoria da qualidade de vida e das condições para se trabalhar; na melhoria das condições de governação, de segurança e de sustentabilidade; no desenvolvimento das empresas, dos empreendedores e dos cidadãos em geral e na tomada de medidas para uma otimização operacional, explica Luís Grincho. Para a SAP, as smart city devem ter também uma “visão integrada, porque quando as cidades são geridas e controladas por serviços desintegrados o potencial da inovação e da capacidade de aprendizagem das cidades é limitado”.
A opinião é partilhada por Paulo Fernandes, diretor-geral de negócio emergentes da Compta, empresa que está a apostar no desenvolvimento de soluções para cidades inteligentes em duas vertentes essenciais: a sustentabilidade e as pessoas. Do lado da sustentabilidade, o objetivo é reduzir os custos de operação da cidade, quanto às pessoas, estas devem interagir com a cidade, explica.
Ainda a expressão smart cities não tinha nascido e já a Compta estava a trabalhar em prol desse desígnio. A empresa desenvolve projetos na área do ambiente, da energia, do comércio justo, da iluminação pública, da gestão resíduos, com o objetivo de baixar custos para os utilizadores.
Está também a trabalhar na nova solução – Ximi – vocacionada para a integração de pessoas com entre 55 e 60 anos (ver notícia neste dossier) e na plataforma de comércio electrónico justo, Prodfarm, que visa aproximar produtores e consumidores na comercialização de produtos do campo dentro da cidade.
Em áreas ditas mais tradicionais, a Compta cria produtos verticais para resolver problemas específicos integrando-os com soluções de outros fabricantes. Trabalha na área da gestão da recolha de resíduos, dos camiões, das sondas.
Disponibiliza também serviços de gestão energética de edifícios, para reduzir custos e melhorar o conforto, e de iluminação pública, ao tornar a iluminação mais eficiente. No caso da rega de espaços verdes, as soluções da Compta permitem poupar entre 50% e 70% de água, em jardins e espaços verdes de todas as dimensões.
As soluções da Compta têm vindo a ser potenciadas pelo desenvolvimento dos sistemas de sensorização, pela redução dos custos e pelo aumento da velocidade das comunicações, o que possibilita a monitorização e controlo central das soluções à distância através de serviços prestados em cloud computing.
Quanto ao retorno do investimento, é “relativamente rápido, na generalidade um ano e meio a dois anos, apesar do investimento inicial em sensores distribuídos por milhares de pontos”.

Sabia que…

  • Em 2015, foram criados 8 zetabytes de novos dados (mais do que a soma dos cinco anos anteriores). Este volume deverá duplicar a cada dois anos;
  • A inteligência artificial já está a automatizar muitas das operações do nosso quotidiano;
  • A tecnologia 3D permite que diversos produtos possam ser produzidos em qualquer localização, reduzindo a emissão de CO2 gerada pelo transporte;
  • O consumo de utilities, como a água que consumimos, pode ser analisado em tempo real;
  • A depressão (que é uma das maiores causas de outras doenças) pode ser monitorizada por sistemas de análise de sentimentos;
  • Prevê-se que em 2020 mais de 50 mil milhões de dispositivos estarão ligados à internet;
  • Os veículos autoguiados farão parte do nosso quotidiano em 2020;
  • Estamos a assistir a uma nova forma de viver baseado no social, na localização, na mobilidade, no big data e na Internet of Things

Fonte: SAP/ World Economic Forum

Recomendadas

Cientistas chineses afirmam ter conseguido atingir a supremacia quântica

O anúncio chinês surge pouco mais de um ano depois de semelhante conquista pela Google, numa tecnologia que promete oferecer uma capacidade de computação exponencialmente superior à dos mais poderosos computadores atuais.

PremiumCompras online vão somar quase oito mil milhões em 2020

Associação da Economia Digital antecipa “grande ‘boom’ do e-commerce” neste Natal. E diz que pandemia mudou hábitos dos consumidores.

Web Summit. Tóquio2020 vão ser os primeiros Jogos da 4.ª revolução industrial, realça COI

Com medalhas feitas com material eletrónico reciclado, veículos sem condutor com zero emissões poluentes, a rede de quinta geração (5G), a realidade aumentada e a robótica, Tóquio2020 vai “exibir universalidade, sustentabilidade e tecnologia”, e dará uma “mensagem de esperança e resiliência” ao mundo”, assinalou Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), na Web Summit.
Comentários