As empresas ficaram de fora do Orçamento?

A resposta será, simultaneamente, sim e não. Por um lado, o documento passa ao lado das empresas, privilegiando os rendimentos das famílias. Por outro, o Orçamento só faz sentido se tivermos em conta os fundos europeus que vão chegar em 2021. Porém, resta saber se tal será suficiente para que as empresas portuguesas consigam, mais uma vez, tirar o país da crise.

A proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2021 é, como disse Marques Mendes, um documento com um forte pendor social. O Governo pretende fazer um esforço significativo para preservar os rendimentos das famílias afetadas pela crise provocada pela pandemia de Covid-19, num ano em que se prevê que o consumo privado será crucial para suportar a recuperação da economia. De facto, esta proposta de Orçamento é tão “social” que, para muitos portugueses, será difícil entender que argumentos terão afinal o Bloco de Esquerda e o PCP para votarem contra.

A dúvida está em saber se esta política é suficiente para fazer face aos efeitos da crise, ou se seriam necessárias novas medidas de estímulo, através de apoios às empresas. Com uma certa ironia, o  OE2021 assegura a estabilidade e a previsibilidade fiscais que os empresários pedem há muito, ao manter inalterada a carga fiscal. Porém, este ano, as empresas abdicariam de bom grado de um pouco dessa previsibilidade, se em troca o OE2021 trouxesse uma descida do IRC e novas medidas de apoio.

Dito isto, as empresas ficaram de fora do OE2021? Diria que a resposta será, simultaneamente, sim e não. Sim, porque o documento propriamente dito passa ao lado dos problemas do sector empresarial, privilegiando a salvaguarda dos rendimentos das famílias. E não, porque o Orçamento do Estado para 2021 só faz sentido se tivermos em conta os fundos europeus que o país vai receber no próximo ano. Porém, resta saber se tal será suficiente para que as empresas portuguesas possam criar emprego e, mais uma vez, tirar o país da crise.

Recomendadas

Mercado de capitais: mais uma oportunidade perdida?

Mais poupança e investimento teriam como resultado uma sociedade menos dependente do Estado, com cidadãos e empresas mais livres. Quem quer isso?

Do “suspense” político

Como se tem visto pelas sondagens, o país não acredita que o OE não seja aprovado na generalidade pelo que resta da geringonça. Seria uma irresponsabilidade.

Contratos públicos: uma defesa para os contribuintes

Os países precisam urgentemente das verbas do plano de recuperação. Mas não podemos nem devemos encarar a conjuntura atual como um “livre-trânsito” para desmantelar o que levou muito tempo a consolidar.
Comentários