O CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, diz que “a boa notícia é que temos experiência disto”, referindo-se às novas moratórias anunciadas pelo Governo como medidas para enfrentar as consequências da tempestade Kristin.
As medidas de apoio para as famílias dos concelhos classificados em situação de calamidade passam por uma moratória para crédito à habitação se esta for para habitação própria e permanente por 90 dias e o crédito ao consumo e ou pessoal com taxa fixa de 2,25%, o que é igual a spread zero.
Nas medidas de apoio a empresas o banco explica que são moratórias de crédito a todas as empresas elegíveis de acordo com os critérios definidos pelo Estado. Mas há ainda as linhas de garantia do BPF, de acordo com as medidas anunciadas a 1 de fevereiro. A linha de tesouraria de 500 milhões para financiamento a curto-prazo; e a linha de investimento de 1.000 milhões para financiamento de longo prazo, e isenção total de todas as comissões na conta-corrente até à primeira renovação (até um ano), seguindo os mesmos critérios de elegibilidade definidos pelo Estado.
Mas João Pedro Oliveira e Costa lembrou que ainda falta a publicação do Decreto-Lei para operacionalizar todas as medidas.
Comentando as medidas aprovadas pelo Governo, o CEO do BPI disse que ainda é cedo para saber se são suficientes, “eu penso que nós não temos ainda bem a noção, ainda não vi nenhuma avaliação concreta do impacto e da amplitude desse mesmo impacto. Para dar um exemplo, há empresas que não têm a sua sede nos concelhos afetados, e que uma parte significativa da sua atividade não é no concelho, mas na parte que está nesses concelhos são afetadas pela calamidade, por isso eu acredito que existam impactos colaterais, não só os impactos na zona, mas outros impactos colaterais, algumas empresas exportadoras em que os seus clientes eventualmente, momentaneamente, escolherão outros fornecedores para esse mesmo produto”.
O CEO diz que “o Governo fez um esforço de apresentar medidas com alguma dimensão e o setor financeiro está envolvido”, referiu acrescentando que “o tema das moratórias é algo que as pessoas podem agarrar já, quer para a habitação, quer para as empresas, o que alivia bastante a tesouraria, e as duas garantias dadas pelo Banco de Fomento também têm uma dimensão significativa”. No entanto admite que possam ter de haver mais medidas até porque “infelizmente parece que a situação ainda não acabou”.
Na parte que cabe à banca, “estamos muito empenhados em fazer acontecer muito rapidamente”, assegurou.
“Depois também a outra componente que eu acho que vai ser importante, nomeadamente para as instituições de solidariedade social, e aí que nós vamos atuar bastante”, acrescentou.
Crédito à habitação jovem BPI não prevê para já pedir novo reforço da garantia
O presidente executivo do BPI elogiou a medida do Estado para o crédito jovem até aos 35 anos. Mas para já não há planos de pedir um reforço, depois de em setembro do ano passado o banco ter pedido e obtido um reforço de 100 milhões de euros na garantia pública para o crédito habitação a jovens até aos 35 anos em setembro de 2025, elevando a sua quota total para 249,5 milhões de euros.
“Neste momento com o que nós temos estamos confortáveis, pelo que não precisamos de pedir mais”, disse o presidente do BPI.
“No entanto no futuro, se o Estado tiver disponível, continuará a solicitar um reforço de montante para continuar a ser competitivo, tal e qual como os restantes bancos nesta atividade, felizmente o BPI tem sido bastante atrativo no segmento jovem, é a área do crédito em que mais crescemos e por isso somos favoráveis a que a medida continue, havendo essa capacidade do lado do Estado, e não se conseguindo equilibrar a oferta e a procura, pelo menos para as pessoas não terem que esperar mais 5, 6, 7, 8 anos para conseguirem ter acesso a uma casa”, disse.
“O que nos parece, é que há uma forte intenção de que os jovens tenham acesso à habitação e se fixem em Portugal, e não tenham que imigrar”, sublinhou acrescentando que “tem que haver uma conjugação de todas as partes. O que o BPI pode dizer é que está disponível, se o programa continuar, para fazer parte dele, mas a iniciativa não é do BPI”.
(atualizada)
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