As novas IFRS: mais do que alterações contabilísticas

As recentes disposições normativas emitidas pelo International Accouting Standards Board (IASB), com especial destaque para a IFRS 9 – Instrumentos financeiros, IFRS 15 – Rédito de Contratos com Clientes, IFRS 16 – Locações e IFRS 17 – Contratos de seguros, reforçam não só o crescente dinamismo do IASB na prossecução do seu propósito de uniformização e melhoria do relato financeiro, mas simultaneamente o carácter impactante das novas normas contabilísticas e de relato financeiro nas organizações.

Os impactos não se resumem às questões contabilísticas e financeiras sendo necessário aferir os impactos no negócio, nas transações e acima de tudo nos sistemas de informação.

Os novos modelos de reconhecimento e mensuração inerentes às referidas normas irão exigir modificações ao sistema de Enterprise Resource Planning (ERP) atualmente utilizado na recolha e reporte da informação financeira, com impactos nos processos e sistemas de tesouraria, instrumentos financeiros, gestão de ativos e faturação, entre outros.

Num momento em que a função financeira se depara com uma rápida transformação financeira e tecnológica, com a introdução da robotics process automation (RPA), blockchain, advanced analytics e big data torna-se essencial repensar a arquitetura de sistemas e do próprio ERP tendo em consideração um diagnóstico de IFRS robusto que permita mapear os requisitos normativos, maximizando o custo-benefício dessa mesma transformação. A adoção de novas normas deve ser encarada como uma oportunidade para repensar o nível de informação e automatização que as organizações hoje dispõem e se existe potencial para a criação de valor através da recolha de melhor informação de gestão e maior eficiência nos processos internos.

Os processos de implementação recentes têm demonstrado ser muito mais do que apenas uma mera alteração contabilística, impactando processos e procedimentos internos que vão desde o ambiente de controlo e a informação de gestão à formação necessária para endereçar as transações e os sistemas de forma diferente, num efetivo processo de gestão da mudança.

Nesta medida as organizações têm hoje a oportunidade de encarar as recentes alterações normativas como um efeito catalisador da transformação financeira de uma forma transversal, aproveitando a oportunidade para reformular o sistema de ERP e toda a restante arquitetura de sistemas, conjuntamente com a automatização de processos.

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