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Atlantic Connect acusa Governo dos Açores de encenar “saída airosa” para fracasso na privatização da SATA

O consórcio Atlantic Connect Group diz que reagiu com “surpresa e desilusão” à postura do Governo Regional, acusando o executivo de tentar sacudir a responsabilidade pelo desfecho negativo do concurso de privatização da Azores Airlines.
Carlos Tavares
FILE PHOTO: Stellantis CEO Carlos Tavares inaugurates the group’s electrified dual-clutch transmission (eDCT) assembly facility in the Mirafiori complex in Turin, Italy, April 10,2024. REUTERS/Massimo Pinca/File Photo
5 Março 2026, 19h09

O processo de privatização da Azores Airlines (SATA) entrou numa fase de elevada tensão. O consórcio admitido na privatização da Azores Airlines acusou em comunicado o Governo açoriano de “preparar uma saída política airosa para um processo que correu mal”, alertando que mudar o modelo de venda não resolve os problemas” da companhia.

Em comunicado, o cónsorcio Atlantic Connect Group —  que junta os empresários Tiago Raiano, Carlos Tavares (ex-CEO da Stellantis) Paulo Pereira e Nuno Pereira — acusa o Governo Regional dos Açores liderado por José Manuel Bolieiro de estar a “lavar as mãos”, criticando a forma como o Governo parece agora “assistir de fora” a um desfecho do qual é o principal responsável formal perante a Comissão Europeia (DGCom).

Recorde-se que na quarta-feira o Governo Regional concluiu não estarem reunidas as condições para adjudicação da Azores Airlines àquele consórcio, o único admitido no concurso.

O consórcio lamenta que o debate público se tenha centrado na forma do concurso, ignorando os problemas estruturais da companhia.

“A possibilidade de uma venda direta passou a ser apresentada como solução, como se bastasse mudar o procedimento para que todos os desafios estruturais desaparecessem”, alerta o grupo, sublinhando que os problemas financeiros e operacionais da SATA permanecem inalterados.

O Atlantic Connect Group defende a “seriedade” da sua proposta, garantindo que negociou compromissos com trabalhadores e sindicatos. O grupo estranha ainda o facto de, até ao momento, não ter tido acesso ao relatório que sustentou o chumbo da sua candidatura, o que impede uma análise clara das razões que levaram à sua exclusão.

A crítica surge num momento em que o Governo Regional admite reformular o modelo de alienação da companhia aérea. Mas para os investidores do Atlantic Connect, esta mudança de rumo é apenas um adiamento da realidade. “Mudar o procedimento não resolve os problemas da empresa, e fingir que resolve apenas adia o momento em que a realidade terá de ser enfrentada”, concluem.

O presidente da SATA, Tiago Santos, afirmou na quarta-feira à agência Lusa que o modelo de venda direta para a Azores Airlines vai permitir um “processo ágil e otimizado”, defendendo a importância de “não se perder mais tempo” na privatização.

A privatização da Azores Airlines continua, assim, envolta em incerteza, com o Governo Regional sob pressão para explicar como pretende cumprir os compromissos assumidos com Bruxelas após o colapso do atual concurso.

O consórcio ACG apresentou em 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines.


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