Aumento de salários e atração de investimento privado são caminho para a retoma, defendem sindicalistas

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Secretário-geral da UGT, Carlos Silva | Foto de Cristina Bernardo

Carlos Silva, secretário-geral da UGT

Com uma forte dose de confiança injetada pelos principais atores políticos, económicos e sociais. A cooperação institucional entre o Governo e o Presidente da República tem sido uma base sólida de promoção da estabilidade política e da paz social, sem a qual seria duvidoso que o clima de confiança entre os portugueses se mantivesse em níveis bastante aceitáveis.

A atração de investimento privado, nacional ou estrangeiro, necessita de condições políticas estáveis para ter sucesso, cabendo ao Estado intervir, também, na economia, com investimento em infra-estruturas, na sua maioria apontadas pelo Professor Costa e Silva, geradoras de emprego e mobilizadoras de empresas de múltiplas áreas da atividade económica a que importa, de uma vez por todas, implementar, algumas das quais pecam pelo atraso de décadas – ferrovia, ligação internacional e Espanha por alta velocidade, novo aeroporto, terceira travessia do Tejo, entre outras. Relembro e necessidade de implementar um Simplex na administração pública e na Justica para reduzir a burocracia.

O apoio do Estado ao Turismo deve merecer uma atenção especial do Governo, com medidas de discriminação positiva nos apoios a conceder, fundamentais para alavancar centenas de milhares de postos de trabalho, com a expectativa de ser combatida a precariedade e os baixos salários neste setor essencial para a economia portuguesa.

De notar que a valorização dos salários é essencial para estimular a procura e o consumo interno, como um dos pilares que sustentam o crescimento económico harmonioso. Para que a atividade económica tenha um impulso rápido e robusto torna-se imperioso o apoio financeiro célere da União Europeia, designadamente a título de subvenções, o que implica uma gestão rigorosa e escrutinada do Estado na sua aplicação, factor que irá contribuir para implementar a exigível robustez e rapidez na recuperação da economia portuguesa.

 

Mário Cruz / Lusa

Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP

Para garantir uma rápida, robusta e justa recuperação no nosso país, é fundamental inverter o rumo que tem vindo a ser seguido!

É fundamental o aumento geral dos salários e das pensões, a segurança no emprego, a dinamização da contratação colectiva, o incremento da produção nacional e a aposta no papel do Estado. Temos de tirar partido dos recursos endógenos para reduzir a dependência face ao exterior, respondendo também aos problemas ambientais e à mudança climática.

Estas são condições para evitar um ciclo recessivo como no tempo da troica. Naquela altura o país ficou mais pobre e as desigualdades aumentaram.

O surto epidémico pôs ainda mais em evidência as fragilidades acumuladas como resultado da opção por uma política de direita. Portugal, com uma estrutura produtiva debilitada, sofre de forma acrescida os efeitos da pandemia. As medidas do governo são desequilibradas, favorecendo as grandes empresas. A precariedade continua a ser um entrave ao desenvolvimento, num quadro em que milhares de trabalhadores viram os seus salários reduzidos.

É essencial a definição soberana de outro modelo de desenvolvimento, livre das amarras que, a partir dos centros de decisão da União Europeia, empurram o país para um papel periférico, uma produção desqualificada e um modelo assente em baixos salários.

Uma tal estratégia exige que o Estado tenha instrumentos para a efectivar e uma forte mobilização dos trabalhadores para travar aproveitamentos que visam a acentuação da exploração e o uso da presente situação para perpetuar o actual modelo.

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