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Aumentos salariais devem estabilizar em 2026, conclui inquérito da WTW

O inquérito da WTW refere que a média do aumento salarial real em 2025 foi de 3,5%, sendo que as empresas preveem uma ligeira descida em 2026 para 3,2%. “Esta tendência mantém Portugal alinhado com a descida da inflação e com um mercado de trabalho que, embora competitivo, apresenta sinais de maior equilíbrio”, salienta a empresa de consultoria, corretagem e soluções.
10 Fevereiro 2026, 11h04

O Salary Budget Planning Survey da WTW, empresa de consultoria, corretagem e soluções, revela que as empresas em Portugal estão a adotar uma “postura de estabilidade”, privilegiando uma gestão “prudente, mas consistente, da compensação”.

O inquérito da WTW refere que a média do aumento salarial real em 2025 foi de 3,5%, sendo que as empresas preveem uma ligeira descida em 2026 para 3,2%. “Esta tendência mantém Portugal alinhado com a descida da inflação e com um mercado de trabalho que, embora competitivo, apresenta sinais de maior equilíbrio”, salienta a empresa de consultoria, corretagem e soluções.

É ainda referido pelo inquérito que a inflação deve abrandar de 2,4% em 2025 para 2,0% em 2026, “criando condições para orçamentos mais previsíveis”, com a taxa de desemprego a acompanhar esta tendência, descendo ligeiramente para 6.0%. “Em termos macroeconómicos, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer para 2,3% em 2026”, de acordo com a empresa de consultoria, corretagem e soluções.

O inquérito sublinha também que no ciclo atual, pouco menos de metade dos empregadores (43%) “não fez qualquer alteração” aos seus orçamentos salariais projetados desde que foram definidos a meio do ano.

“Embora apenas 7% esteja a aumentar os orçamentos, 24% dos empregadores irão reduzi-los. Entre aqueles que estão a rever as projeções iniciais, fatores como pressões inflacionistas (13%), perspetivas de melhores resultados financeiros (29%), preocupações com a escassez de talento no mercado de trabalho (18%), alterações na estratégia de compensação (13%), assim como preocupações relacionadas à equidade Salarial (11%), estão a influenciar os orçamentos salariais”, revela o inquérito da WTW.

“Os empregadores entraram em 2026 com prioridades salariais mais claras e maior disciplina, utilizando os orçamentos não apenas como inputs financeiros, mas como verdadeiros instrumentos estratégicos. No entanto, por detrás das medianas estáveis observam-se mudanças significativas na forma como as organizações distribuem a remuneração, gerem a complexidade e planeiam para uma força de trabalho que continua a evoluir mais rapidamente do que os ciclos tradicionais de orçamentação”, diz o managing director – Rewards Data Intelligence na WTW, Paul Richards.

De acordo com a WTW ao nível da atração e retenção de talento, a proporção de empresas sem problemas na atração e retenção de talento aumentou mais do dobro em 2025 (20%), acrescentando que “pese embora esses resultados continuem a ser desafiantes” a resposta passa por “reforçar políticas de flexibilidade, programas de compensação e iniciativas centradas na experiência” do colaborador.

O inquérito diz ainda que a adoção da Inteligência Artificial em Rewards em Portugal ainda é “limitada” apesar de se notar uma “evolução crescente”. Para além disso as empresas mostram “maior intenção” de investir em Benchmarking salarial, arquitetura de funções, gestão de competências e tendências de mercado, áreas onde a inteligência artificial (IA) pode “facilitar as análises e a tomada de decisões mais precisas”.

A associate director da WTW, Sandra Bento, salientou que com os orçamentos salariais a registarem uma “maior estabilidade” ganha destaque a necessidade de “reforçar” o investimento na experiência do colaborador.

“Nos últimos dois anos, o aumento significativo de projetos piloto de inteligência artificial e automação demonstra o empenho das organizações em encontrar novas formas de melhorar a produtividade e a eficiência operacional. No entanto, estes esforços ainda não se traduziram em reduções efetivas dos custos laborais. Neste contexto, torna se essencial que as empresas planeiem de forma estratégica a alocação dos seus recursos, garantindo que estes contribuem diretamente para elevar a satisfação e o desempenho das suas equipas”, acrescenta Sandra Bento.

Os dados da WTW referem também que 2026 será um ano de “continuidade e prudência, com orçamentos estáveis, práticas de gestão salarial consolidadas e um mercado de trabalho que demonstra sinais de maior previsibilidade, fatores que dão às empresas margem para planear os orçamentos com mais segurança e alinhar a compensação com as realidades do negócio, apesar do contexto geopolítico se manter instável”.


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