Agora que partilhamos à exaustão dicas e manuais de sobrevivência para o caso de a terra tremer demasiado, importaria também guardarmos o que sentimos quando a terra nos treme.
Habitar a ambivalência não é ser confuso, mas exercitar a imaginação política para que seja possível, ao mesmo tempo, rendas estáveis e suportáveis e uma cidade cosmopolita amiga da experiência do turismo.
Entre o populista e o figurante, tudo é péssimo, cada vez pior, mas talvez entre o péssimo e o ainda pior, Biden represente hoje mais perigos para o mundo.
Nesta era de lugares rarefeitos, precisamos de uma concepção de lugar rasante ao chão, com ar denso e respirável. Esse é o papel territorial da cultura.
Num tempo de eleições, devíamos estar chocados com o horizonte de possibilidades que se vai definindo do estreito anel do fundo do poço em que caímos. Mas em Portugal a discussão na esfera pública segue um sentido leviano enervante.
Por definição, sem limites não há liberdade de expressão. Por isso, a defesa da liberdade de expressão entendida irrestritamente, como se pudesse existir sem limites, é um embuste político e que tem de ser combatido politicamente.