Como poderia Marcelo não desconfiar das pessoas e de uma classe política que as manipula em prol das suas ambições pessoais, quando também pratica a manipulação?
O debate dos Tories expôs o maior defeito da política contemporânea: a quase total impossibilidade de se olhar para a realidade e ser honesto com os eleitores, e a consequente dificuldade em confrontar os problemas que afetam as nossas sociedades.
A crise do PSD vem daqui: em virtude das circunstâncias e dos caprichos da Fortuna, o PSD nunca de 1994 para cá teve oportunidade de recorrer ao Estado e ao festim do Orçamento para encher os bolsos de um número suficientemente grande de portugueses, e em Portugal só se conseguem maiorias absolutas quando existe essa oportunidade.
PS e PSD são, hoje em dia, partidos sem uma função política, servindo apenas de veículos de satisfação das necessidades de expressão “identitária” da sua base de apoio, como os clubes de futebol são para os seus adeptos.