Durante demasiado tempo a inovação viveu num espaço confortável dentro das grandes organizações, suficientemente próxima do poder para ser notada, mas suficientemente afastada para não o comprometer.
Se Portugal fosse uma empresa, olharíamos para o PRR como uma linha de investimento em curso e perguntaríamos, no conselho de administração: como é que este investimento se transforma em competitividade, em mercados e em salários melhores?
Se continuarmos presos à gestão diária, perderemos a oportunidade de transformar a saúde e as ciências da vida em motores da economia nacional. Temos empresas de referência, centros científicos de excelência e profissionais reconhecidos mundialmente. Mas não temos ambição estratégica.
A ministra do Futuro deveria liderar uma estratégia nacional de inovação, prospetiva e de transformação. Para construirmos futuros desejáveis para Portugal – em vez de apenas reagirmos aos indesejáveis.
A inovação torna-se um processo de gestão dessa abundância, onde o papel das equipas humanas é definir a direção certa e orquestrar os recursos disponíveis de forma inteligente.