Banco Africano já emprestou mais de 3 mil milhões de euros contra a pandemia

O presidente do BAD disse já este mês que a recuperação económica do continente depende de um acesso eficaz às vacinas e das soluções que forem encontradas para o problema da dívida, que deverá subir, de 30% em 2010, para 75% do PIB este ano.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciou esta terça-feira que já desembolsou mais de 3 mil milhões de euros desde o início da pandemia para ajudar os países africanos a suportarem os efeitos desta crise sem precedentes.

“Até 01 de abril, o banco tinha aprovado um total de empréstimos no valor de 4,1 mil milhões de dólares [3,7 mil milhões de euros] para todas as operações ao abrigo do Instrumento de Resposta à covid-19, tendo já desembolsado um total de 3,7 mil milhões de dólares [3,05 mil milhões de euros], 90% do total”, lê-se numa nota enviada à Lusa.

Na contabilização da ajuda financeira, acrescenta-se que “o financiamento foi também direcionado para a Organização Mundial de Saúde, que recebeu 2 milhões de dólares [1,6 milhões de euros] em assistência de emergência para reforçar a capacidade de ajudar os países africanos a conter a pandemia e a mitigar os seus impactos”.

O Banco, a maior entidade financeira multilateral de desenvolvimento em África, aponta ainda que “um pacote financeiro especial de 20 milhões de dólares [16 milhões de euros] foi para os cinco países do Sahel – Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger – para fortalecer as suas capacidades nacionais contra a covid-19, ajudando-os também a limitar o impacto económico numa região onde a pandemia está a causar uma emergência sem precedentes em cima de múltiplas crises”.

Os analistas do banco estimam que, além do impacto na saúde, o continente esteja a “lidar com a sua pior recessão em meio século, que fez 30 milhões de africanos caíram na pobreza extrema em 2020 e pode levar outros 39 milhões este ano” a entrar nesta situação.

O presidente do BAD disse já este mês que a recuperação económica do continente depende de um acesso eficaz às vacinas e das soluções que forem encontradas para o problema da dívida, que deverá subir, de 30% em 2010, para 75% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

“África precisa de alívio da dívida, reestruturação da dívida e sustentabilidade da dívida”, disse Akinwumi Adesina, durante uma conferência virtual, vincando que mesmo com uma realocação dos novos Direitos Especiais de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 650 mil milhões de dólares (553 mil milhões de euros), os países africanos receberão apenas 3,2% desse valor, equivalente a cerca de 32 mil milhões de dólares, ou seja, 27,2 mil milhões de euros.

O FMI vai propor em junho um novo mecanismo de realocação destas verbas que leva em conta não apenas a quota no FMI, mas também as necessidades específicas de cada país, o que deverá fazer com que os países em dificuldades recebam um valor acima do que receberiam se a nova alocação fosse transferida apenas tendo em conta a quota de cada país no FMI.

Entre os países da África subsaariana com um rácio da dívida face ao PIB mais elevada estão os lusófonos Angola, Cabo Verde e Moçambique, todos com valores acima de 100%.

O FMI estima que a economia da África subsaariana cresça 3,4% este ano, depois de uma contração de 1,9% em 2020.

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As vendas globais de petróleo em junho ascenderam assim a 2.320 milhões de dólares (1.969 milhões de euros), que por sua vez representaram receitas fiscais para o Estado angolano no valor de 572.949.521.082 kwanzas (756.348.594 milhões de euros).

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O banco disse ainda que “continuará a dialogar e a trabalhar com o Banco de Moçambique para esclarecer todas as alegações sobre a sua suspensão do mercado cambial e salvaguardar os interesses dos clientes e todas as partes interessadas”.
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