Banco cabo-verdiano da CGD com melhor resultado de sempre em 2019

O resultado líquido do Banco Interatlântico cabo-verdiano praticamente triplicou no ano passado, comparativamente a 2018, para 4,3 milhões de euros.

Cristina Bernardo

Os lucros do Banco Interatlântico cabo-verdiano, detido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), praticamente triplicaram em 2019, face ao ano anterior, para 4,3 milhões de euros, o melhor resultado desde a sua criação, segundo a administração.

De acordo com o relatório e contas de 2019 do banco, recentemente aprovado pelos acionistas, o resultado líquido da instituição cresceu 187,9% em 2019. Foi mesmo “o maior resultado do banco desde a sua origem”, em julho de 1999, segundo a administração.

O relatório acrescenta que este resultado será aplicado apenas em reservas legais (10%) e o restante para “cobertura de resultados transitados negativos e para constituição de reservas livres”.

“Com as medidas já aprovadas pelo supervisor e aplicando nos fundos próprios a totalidade do resultado de 2019, o banco estará melhor preparado para resistir aos efeitos adversos da crise já iniciada”, lê-se na mensagem da administração no relatório e contas, que contabilizou um resultado líquido superior a 477,3 milhões de escudos (4,3 milhões de euros).

A decisão de não distribuir dividendos de 2019 cumpre a orientação do banco central, de reforço dos capitais próprios dos bancos que operam no país, face à situação imprevisível provocada pela pandemia de covid-19 e as consequências na economia.

“Este resultado é fruto do contínuo esforço coletivo da organização no aprofundamento dos seus principais vetores estratégicos”, destaca a administração.

O capital social do Banco Interatlântico está avaliado em 1.000 milhões de escudos (9,1 milhões de euros) cabendo à Caixa Geral de Depósitos uma quota de 70% na estrutura acionista. Em Cabo Verde, aquele grupo estatal português lidera ainda o Banco Comercial do Atlântico, um dos maiores do arquipélago, tendo a administração iniciado o processo para a alienação da sua participação, ficando apenas com o Banco Interatlântico.

“A decisão estratégica do acionista de referência Caixa Geral de Depósitos, comunicada no final de 2018, de concentrar as suas operações no Banco Interatlântico será, de forma crescente, uma importante alavanca de desenvolvimento do banco e do seu papel na economia de Cabo Verde”, lê-se no relatório e contas.

Em 2019, o ativo líquido do banco cresceu 7,3%, para 24.454 milhões de escudos (223,7 milhões de euros), o crédito a clientes subiu 5,1%, para 18.416 milhões de escudos (168,5 milhões de euros) e os capitais próprios aumentaram 25%, chegando a 2.408 milhões de escudos (22 milhões de euros).

Os recursos dos clientes (depósitos) à guarda do Banco Interatlântico subiram 5,8%, para 21.589 milhões de escudos (197,5 milhões de euros), equivalente a uma quota de mercado de 9,8%, enquanto 11,5% do crédito bruto concedido e juros estavam no final do ano em situação de vencido, uma melhoria de 4,5 pontos percentuais quando comparado com 2018.

O produto bancário do Banco Interatlântico aumentou 13,4%, para 1.234 milhões de escudos (11,3 milhões de euros) e o número de trabalhadores cresceu 7%, para 152 em 31 de dezembro de 2019.

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