Banco de Cabo Verde alarga carteira de investimentos para mitigar efeitos da incerteza dos mercados

O banco central cabo-verdiano já criou duas carteiras de investimento em euros e em dólares com maturidade muito mais longas.

O Banco de Cabo Verde (BCV) está, neste momento, a diversificar e alargar a sua carteira de investimentos por forma a mitigar os efeitos da incerteza que se faz sentir nos mercados internacionais.

A informação foi avançada esta segunda-feira pela diretora do Departamento de Mercados e Gestão de Reservas do Banco de Cabo Verde (BCV), Elsa Brito, que falava aos jornalistas na sequência da realização, na cidade da Praia, do primeiro encontro de gestão de reservas dos bancos centrais dos países de Língua Portuguesa.

Segundo adiantou, neste momento as reservas externas de Cabo Verde estão estimadas em 623 milhões de euros, liquidez suficientes para fazer face a choques que possam advir de ciclos económicos adversos e que coloca Cabo Verde num patamar histórico, nesta matéria.

Um nível de reservas que representa cerca de seis meses de importação, o que é importante já que Cabo Verde é um país com regime de paridade cambial fixa face ao euro e também por ser um país com muitas vulnerabilidades externas.

“Trata-se de uma pequena economia aberta, muito dependente das importações e, portanto, o nível de reservas significativo é muito relevante porque permite suportar e credibilizar a política monetária e cambial no sentido de poder intervir em defesa da moeda nacional”, explicou.

Elsa Brito adiantou ainda que essa situação dá confiança aos mercados, no sentido e garantir que os pagamentos externos serão garantidos e a confiança aos pagamentos do Estado em termos da dívida externa e outras responsabilidades do governo cabo-verdiano e, por outro, lado limita as vulnerabilidades externas do país.

Entretanto salientou que esse nível de reserva significativo acarreta custos de oportunidade, sobretudo, perante um contexto internacional de muita incerteza, em que a gestão de activos externos enfrenta desafios muito complexos.

“É um ambiente externo com taxas de juro negativas. Aqui destaco o banco central europeu que está a praticar juros negativos para as taxas de depósitos. Portanto há dificuldades em fazer investimentos com retornos positivos. Só encontramos rentabilidades positivas num período de maturidade muito longo, de maneira que há um custo de oportunidade de ter reservas”, sustentou.

As fontes tradicionais de reservas externas são, de acordo com o BCV, as receitas de turismo, da dívida externa do Governo tanto pública como a privada e as rendibilidades na gestão de ativos.

A dinâmica da economia pode contribuir para manter ou elevar esse patamar, mas também a gestão do banco central deve primar pela garantia de gestão do capital, por forma a assegurar a liquidez dos pagamentos sem esquecer o perfil de risco conservador do banco central.

Por isso, perante esse contexto complexo o BCV, está a estender as suas carteiras, tendo já criado duas carteiras de investimento em euros e em dólares com maturidade muito mais longas de forma, exatamente, a conseguir mitigar os efeitos dessa incerteza que se faz sentir nos mercados internacionais.

O primeiro encontro de gestão de reservas dos bancos centrais de língua portuguesa tem o objetivo promover um espaço de discussão de matérias relevantes no âmbito de gestão de reservas e de riscos, bem como a troca de experiências em relação aos importantes desafios que se colocam à gestão de ativos externos no atual contexto internacional que consideram de enorme complexidade.

Na manhã de hoje esteve em debate os desafios e tendências da gestão de reservas no contexto internacional atual. Foram palestrantes o administrador do Banco de Portugal Hélder Rosalino e Paulo Portas, professor e consultor internacional.

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