O Banco Português de Fomento registou no terceiro trimestre um “crescimento histórico” na sua atividade de apoio à economia, consolidando o papel do banco promocional na promoção do investimento empresarial e desenvolvimento do tecido produtivo.
O financiamento às empresas ultrapassa os 5.150 milhões de euros nos 10 meses do ano, o que compara com a produção de crédito garantido de apenas 539 milhões em 2024.
Na apresentação dos resultados referentes aos primeiros nove meses do ano, o BPF revelou que chegou a 4.523 milhões de euros brutos de crédito empresarial com garantias entre janeiro e outubro. “A nossa expetativa é partirmos do ponto onde estamos hoje, com 4.523 milhões de euros, e adicionar até ao fim do ano mais 1.477 milhões de euros e nas garantias, considerando as garantias nacionais concedidas às PME portuguesas e as garantias internacionais que concedemos à Médias e Grandes empresas portuguesas, nós podemos superar os 6 mil milhões de euros de garantias até ao final do ano de 2025”, disse o CEO que lembrou o banco tem estado a produzir, em média, crédito com garantias acima dos 600 milhões de euros mensais, desde maio. Gonçalo Regalado disse que em agosto esse valor quase duplicou fruto de uma convenção entre Portugal e Angola.
O impacto do BPF no PIB já regista 1,8% nos primeiros 10 meses do ano. Isto somando o financiamento via divida emitida e garantias face ao stock bancário.
Gonçalo Regalado disse ainda que em termos de impacto no PIB, de dimensão e relevância do banco “queremos chegar do 16º ao Top 3 europeu neste mandato. No primeiro ano de mandato a nossa ambição é atingir já o Top 5 da Europa”.
“Se chegarmos aos 3% de impacto no PIB no primeiro mandato atingiremos o nosso objetivo”, disse.
O CEO Gonçalo Regalado apresentou esta quinta-feira os resultados do Banco de Fomento e destaca que o peso no PIB hoje compara com 0,2% em 2024. “Os resultados do banco soberano medem-se pelo impacto no PIB, nas empresas, no emprego e na competitividade de Portugal”, defendeu o CEO.
Ainda assim, os resultados líquidos consolidados do Banco de Fomento ascenderam a cerca de 10 milhões de euros e o produto bancário ascendeu a 38 milhões de euros. “As comissões são necessárias para cobrir custos administrativos e custo do risco, mas devem ser otimizadas em prol das empresas”, disse o CEO.
O número de empresas apoiadas cresceu de 2,4 mil milhões para 12,5 mil milhões, com 82% de novos clientes, o que traduz um saldo positivo face aos 67% registados no ano anterior.
O peso das garantias em carteiras atribuídas a empresas com baixo risco triplicou em apenas 10 meses, através da iniciativa de garantias pré-aprovadas, “refletindo uma melhoria de perfil de risco e uma maior confiança no sistema de garantias”.
O BPF, nos primeiros 10 meses do ano, liderou o apoio a três projetos estratégicos de interesse nacional num valor acima de 3,4 mil milhões de euros de investimento total. Isto inclui o Hospital de Lisboa Oriental, o TGV e dois Data Centers em Lisboa.
O banco encabeça também o consórcio para a construção da Gigafactory de Inteligência Artificial em Portugal, num investimento acima de 4 mil milhões de euros.
Foi criada a Direção de Dívida de Banca de Investimento, ocorreu uma reestruturação da recuperação de crédito e foram encerradas ou implementadas mais de 300 recomendações internas da supervisão (do Banco de Portugal), revelou o CEO. “Temos nesta altura 176 recomendações pendentes”, disse acrescentando que esse número vai diminuir até ao fim do ano. Recebemos uma carga de recomendações acima de 500, entre o stock e as novas e chegar ao fim do ano com pouco mais de 25% dessas recomendações, revela a nossa capacidade de implementar rigor e transparência”, disse.
“Vamos montar uma máquina de recuperação de crédito”
O banco divulgou que o rácio de NPE (malparado) do BPF ascendeu a 24,1% no fim de 2024. O ticket médio dos créditos em incumprimento estava nos 62 mil euros, “com a maior parte do valor em incumprimento, mais de 400 milhões de euros concentrada em créditos acima dos 400 mil euros”.
O CEO revelou que há mais de mil milhões de euros em stock de crédito em incumprimento, das quais 450 milhões já utilizaram o aval do Estado, ou seja, são perdas cobertas pelo Estado português. Do total de créditos em incumprimento, o Fundo de Contragarantia Mútuo (FCGM), utilizou o aval do Estado em 450 milhões de euros decorrente dos pagamentos efetuados às Sociedade de Garantia Mútua.
A imparidade média do FCGM e SGM é de 85% sem considerar o aval do Estado.
Há 508 milhões de euros de crédito em incumprimento que já foram registados como imparidade nas contas do banco. Depois há 90 milhões que ainda não estão registados como imparidades, e que o CEO espera recuperar sem ter de registar.
O CEO anunciou a criação de uma nova direção de recuperação de crédito que será acompanhada pela digitalização e automatização de vários processos operacionais. O banco vai ainda implementar “motores de decisão avançados para o segmento Empresas”.
“O processo de reestruturação da recuperação de crédito em incumprimento contará com um novo sistema informático mais ágil e eficaz, implementará a produção de informação de gestão para acompanhamento de KPI e KRI com avaliação diária detalhada.
Na recuperação de crédito “optamos por criar quatro programas” e esperam recuperar 355 milhões de euros. Há 5.107 empresas alvo de ações judiciais onde o banco prevê recuperar 263 milhões de euros. Nas dívida mais antigas o banco prevê fazer write-off ou vendas de carteiras. Aqui estão 6.930 empresas e o montante dos créditos em incumprimento ascende a 323 milhões.
O presidente do Banco de Fomento anunciou que “vamos montar uma máquina de recuperação de crédito” semelhante à da banca comercial.
“Vamos fazer a monitorização da carteira viva de Early Warnings até aos incumprimentos; vamos ter um processo de recuperação até 90 dias. Depois teremos um processo de recuperação misto (entre 90 a 180 dias com formalização dos acordos); ao fim dos 180 dias avançam com ação judicial e um modelo de encerramento do processo através da recuperação parcial/integral, venda ou write-off do valor em dívida, com formalização de acordos, planos de insolvência e PER”. O banco vai alocar 60 pessoas do grupo a este acompanhamento do crédito malparado. A inteligência artificial e a digitalização vão ajudar a esta máquina de recuperação de crédito.
A dívida em incumprimento em stock é de mais de 13 mil empresas, disse o CEO.
No balanço dos 10 meses o CEO do BPF falou ainda da fusão das quatros sociedades de garantia mútua que dará origem à nova Garantia Mútua já em 2026. O gestor referiu também a renovação das equipas de liderança da Portugal Ventures e da Fomento Fundos e a integração da Sofid no Banco de Fomento. Destacou também a transformação digital da instituição.
Gonçalo Regalado revelou que o BPF já liquidou 66 milhões de euros em dívida Covid (subvenções às empresas em atraso há mais de 4 anos) e projetos do Portugal 2020.
O BPF entregou 763 milhões de euros em instrumentos de capital, e tem um pipeline que “permitirá atingir os 100% de execução do PRR dentro do prazo”.
Até ao fim do ano os instrumentos de investimento do banco deverão atingir 6.000 milhões de euros, naquele que “é o melhor ano de sempre (exceto período Covid)”.
Montante em carteira por instrumento financeiro
O ainda CFO do banco, Bruno Rodrigues, fez a apresentação do montante em carteira por instrumentos financeiro do BPF.
Nos nove meses os instrumentos de dívida e garantia somam 5.101 milhões de euros; os instrumentos de capital e quase capital ascende a 1.554 milhões; os instrumentos de apoio à internacionalização totalizam 1.741 milhões; os instrumentos imobiliários têm um valor de 401 milhões. O total soma 8.805 milhões de euros
“A nova produção é superior ao nível de amortizações que estamos a ter”, destacou o administrador financeiro.
Em termos de resultados individuais, o Banco de Fomento teve lucros de 7,8 milhões de euros e a rentabilidade medida pelo ROE é de 2%.
O rácio de capital a nível individual, em termos de CET1, é de 136%.
Em termos de rácio de eficiência (cost-to-income) o banco está em 55% o que compara bem com os 70% do BEI e com os 67% do FEI.
“Estamos a ultimar e teremos assembleia geral para aprovação definitiva em novembro daquilo que será a sociedade que fará a gestão dos fundos de investimento imobiliários”, revelou Gonçalo Regalado. Abel Mascarenhas, que veio da Vanguard, vai liderar esta sociedade “Fomento”.
Investimento direto estrangeiro
O administrador Luís Guimarães disse que “temos mais de 20 projetos diretos estrangeiros em vários setores, infraestruturas, matérias primas, cadeia de valor das baterias, mobilidade eléctrica, energia renovável de vários teores. Esses investimentos vêm em grande parte da Europa, mas também da América do norte e da América Latina”.
Luis Guimarães explicou que “na área de banca de investimento operamos onde existe uma falha de mercado, ou seja, onde quase não haja nenhuma capacidade de financiamento de banca comercial, onde o prazo é demasiado alargado ou uma série de outros fatores”.
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