Bancos espanhóis preparam ano de demissões em massa com mais de 15 mil saídas

Santander, CaixaBank e BBVA protagonizaram as grandes reduções da força de trabalho pós-pandemia, avança o El País.

Albert Gea/Reuters

O Santander, CaixaBank e BBVA protagonizaram as grandes reduções da força de trabalho pós-pandemia, avança o jornal espanhol El País.

O BBVA anunciou ontem a abertura do processo de saída de vários milhares de funcionários. Fontes do mercado estimam que podem elevar a saída de cerca de três mil pessoas. O recém-fundido CaixaBank (com o Bankia) já abriu o Expediente de Regulación de Empleo (ERE), equivalente ao estatuto de empresa em reestruturação, e que pode afetar seis mil ou oito mil trabalhadores.

Por sua vez, o Santander vai perder cinco mil pessoas, embora as dispensas líquidas sejam de 3.572 devido ao efeito das realocações.

No fundido Unicaja, os sindicatos esperam cerca de 1.500 saídas, que se juntarão aos 750 voluntários de Ibercaja. No total, são cerca de 15 mil saídas.

Segundo o jornal espanhol, desde 2008 o setor bancário perdeu quase 100 mil empregos, 35% de acordo com dados do Banco da Espanha.

No ano passado, por ser o ano da pandemia e não ser bem visto pela sociedade, os bancos reduziram o índice de demissões. Mas a pressão sobre o resultado aumenta e, apesar do custo de reputação que essas operações sempre acarretam,  foi reaberto o processo de redução do quadro de pessoal. As reduções mais ativas ocorrerão nos bancos que foram protagonistas de fusões. Mas também os outros preparam cortes fortes, como o BBVA.

“Nosso setor está em um contexto de profunda transformação marcado por enorme pressão competitiva, baixas taxas de juros, a adoção acelerada de canais digitais por parte dos clientes e a entrada de novos players digitais”, explicou ontem o BBVA, liderado por Carlos Torres na carta enviada a os 23.000 funcionários do banco em Espanha.

“Neste contexto, para garantir a nossa competitividade e sustentabilidade do emprego futuro, é fundamental continuarmos a trabalhar de forma ainda mais decisiva para reduzir a nossa estrutura de custos”, acrescentou.

Na próxima semana será a vez do CaixaBank, que definirá o número de demissões após o acordo com os sindicatos para o número de saídas.

No CaixaBank, são esperadas entre 6.000 e 8.000 saídas, embora o valor possa ser mitigado com a reacolocação no próprio grupo, e noutras empresas não bancárias.

O Santander comprometeu-se a reduzir o quadro de funcionários este ano em 3.572 pessoas, mas transferiu 400 para o Santander Personal (que ainda é um Banco) e outras 1.100 para empresas do grupo. No total, foram 5.072. A subsidiária britânica anunciou a demissão de 600 pessoas.

Outro dos protagonistas neste campo é a Ibercaja, que já cobriu 99% das dispensas previstas no processo de regulamentação laboral que está a aplicar para aliviar o seu quadro de colaboradores com trabalhadores voluntários. Os planos assinados chegam a 750 saídas, com funcionários agora entre 57 e 63 anos, primeiro perímetro de longevidade estabelecido no ambiente de trabalho.

A Sabadell acertou em 2020 com os representantes dos trabalhadores a saída de 1.817 pessoas, das quais faltam ainda cerca de 1.000 para deixar a entidade. O banco espera economizar 115 milhões em custos anuais.

Em Portugal os bancos não revelam planos futuros de redução de pessoal. Mas segundo a APB, em 2020, ano da pandemia, o número de bancários caiu mais de 1.200.

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