O Banco Central Europeu publicou hoje as estatísticas de supervisão bancária sobre as principais instituições relativas ao terceiro trimestre de 2025. “No terceiro trimestre de 2025, o rácio agregado de fundos próprios principais de nível 1 (rácio de capital core ou CET1) e o rácio de fundos próprios de nível 1 (Tier 1) das instituições significativas (bancos supervisionados diretamente pelo BCE) foram ligeiramente inferiores aos do trimestre anterior”, avança o banco central.
O rácio CET1 agregado fixou-se em 16,1% e o rácio de fundos próprios de nível 1 (Tier 1) agregado situou-se em 17,59%. Ao mesmo tempo, o rácio de capital total agregado permaneceu estável em 20,24% face ao trimestre anterior.
O rácio agregado de CET1 de 16,10% no terceiro trimestre de 2025 compara com 16,12% no trimestre anterior e 15,73% há um ano.
Entre os países, o rácio CET1 variou entre 13,28% em Espanha e 23,12% na Lituânia no terceiro trimestre de 2025.
O retorno anualizado agregado do capital próprio (ROE) fixou-se em 9,88% no terceiro trimestre de 2025, abaixo dos 10,11% do trimestre anterior e dos 10,09% de há um ano.
O BCE revela ainda que a rentabilidade do capital próprio entre os países variou de 6,82% em França a 16,66% na Lituânia no terceiro trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, a margem de juros líquida agregada manteve-se praticamente inalterada em comparação com o trimestre anterior.
Qualidade dos ativos
Os dados do BCE revelam que o rácio agregado de crédito malparado (excluindo saldos de caixa) fixou-se em 2,22% no terceiro trimestre de 2025, mantendo-se inalterado face ao trimestre anterior e ficando abaixo dos 2,31% de há um ano.
Já o rácio de cobertura de liquidez ascendeu a 156,73% no terceiro trimestre de 2025, abaixo dos 157,88% do trimestre anterior e dos 158,50% de há um ano.
Na publicação do BCE é dito que “o rácio de empréstimos não produtivos (NPL, na sigla em inglês), excluindo os saldos de caixa nos bancos centrais e outros depósitos à ordem, situou-se em 2,22% no terceiro trimestre de 2025. O stock de NPLs (numerador do rácio) aumentou 1,49 mil milhões de euros (0,42%), enquanto o montante total de empréstimos e adiantamentos (denominador) subiu 30,95 mil milhões de euros (0,19%). Como resultado, o rácio permaneceu estável em comparação com o trimestre anterior”.
A nível setorial, o rácio de NPL no crédito às famílias situou-se em 2,16%, mantendo-se inalterado face ao trimestre anterior e abaixo dos 2,25% registados um ano antes.
Já nos empréstimos a empresas não financeiras o rácio fixou-se em 3,51%, menos face aos 3,50% do trimestre anterior e face aos 3,65% um ano antes. Considerando a carteira de empréstimos para instituições financeiras não bancárias por segmento, o rácio de incumprimento (NPL) para empréstimos garantidos por imóveis comerciais foi de 4,58%, em comparação com 4,55% tanto no trimestre anterior como há um ano. O rácio de incumprimento para empréstimos a pequenas e médias empresas (PME) foi de 4,88%, face aos 4,85% do trimestre anterior e aos 4,88% de há um ano.
Os créditos classificados em Stage 2 (empréstimos que não estão em incumprimento mas que já apresentam um aumento significativo do risco de crédito) pesam 9,49% do total dos empréstimos diminuiu face aos 9,59% do trimestre anterior. O rácio de incumprimento para empréstimos a empresas não financeira desceu para 13,55%, e o rácio para empréstimos a famílias diminuiu para 9,41%, face aos 13,65% e 9,47% do trimestre anterior, respetivamente.
No que toca à liquidez, medida pelo Liquidity Coverage Ratio, o BCE diz que este rácio de cobertura de liquidez em termos agregados diminuiu para 156,73% no terceiro trimestre de 2025, face aos 157,88% do trimestre anterior e aos 158,50% de há um ano.
Esta tendência de queda foi impulsionada principalmente por um aumento de 37 mil milhões de euros (+1,15%) na saída líquida de liquidez em comparação com o trimestre anterior.
Para efeitos das estatísticas bancárias sobre instituições significativas, o Banco Central Europeu (BCE) considera três bancos sob supervisão direta, a Caixa Geral de Depósitos; o Banco Comercial Português, e o Novobanco (integrado no grupo LSF Nani Investments Sàrl).
Embora operem em Portugal e sejam classificadas como “significativas” pelo BCE, os dois bancos detidos pelas instituições espanholas são contabilizadas nas estatísticas dos respetivos países de origem das suas casas-mãe. Isto é, o Banco Santander Totta, que é supervisionado através do grupo espanhol Banco Santander; e o Banco BPI que é supervisionado através do grupo espanhol CaixaBank.

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