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Bancos regionais dos EUA em apuros: índice do medo de Wall Street está a subir

O analista António José Duarte destaca ao JE que “o súbito agravamento das tensões no sistema bancário regional dos Estados Unidos voltou a colocar o risco de crédito no centro das preocupações dos mercados financeiros”.
Sete Magníficas Wall Street
17 Outubro 2025, 10h42

O Zions Bancorp e o Western Alliance, dois bancos regionais dos EUA, sofreram quedas violentas (quedas de 13% e 11%, respetivamente) fruto do colapso das entidades credoras de empréstimos automóveis subprime, a Tricolor Holdings e o First Brands Group.

Este colapso está a contagiar o setor depois dos dois bancos regionais sofrerem quedas violentas depois de anunciarem perdas de crédito. Como consequência, o índice dos bancos regionais dos EUA afundou mais de 6% na sessão desta quinta-feira, o que representa a maior queda desde abril. Aparentemente, os investidores estão preocupados com a deterioração dos indicadores de qualidade de crédito, com foco no sector automóvel.

O analista António José Duarte destaca ao JE que “o súbito agravamento das tensões no sistema bancário regional dos Estados Unidos voltou a colocar o risco de crédito no centro das preocupações dos mercados financeiros”. E detalha: “O que começou com perdas aparentemente limitadas em algumas instituições ligadas ao chamado ‘sub-prime automóvel’ rapidamente se transformou num movimento mais amplo, amplificando a aversão ao risco e pressionando os ativos mais sensíveis a choques de confiança”.

“Nas últimas semanas, episódios como a falência da First Brands — com um impacto estimado entre 10 e 50 mil milhões de dólares — e as perdas significativas registadas por dois bancos regionais norte-americanos, a Zions Bancorporation e a Western Alliance Bancorporation, trouxeram de volta à agenda o problema do risco de crédito”, destaca este economista ao JE.

Para António José Duarte, a principal preocupação dos mercados “é que estes incidentes não sejam meros casos pontuais, mas antes sinais de fragilidades estruturais nos balanços de instituições financeiras expostas a segmentos mais vulneráveis — em particular ao crédito imobiliário comercial (CRE), onde as taxas de incumprimento têm vindo a aumentar de forma acelerada”.

Este especialista dá conta que “o alerta foi reforçado esta semana pelas declarações de Jamie Dimon, CEO da JPMorgan Chase & Co., que, após reconhecer uma perda de 170 milhões de dólares relacionada com a falência da First Brands”, com um aviso peculiar: “Quando se vê uma barata, provavelmente há mais”.

“A reação dos mercados foi imediata: só no último dia, os maiores bancos norte-americanos perderam cerca de 100 mil milhões de dólares de capitalização bolsista, com os investidores a reduzir a exposição ao mercado acionista e a procurar refúgio em Treasuries — cujas yields a 10 anos recuaram cerca de 35 pontos base nas últimas três semanas. Em paralelo, o índice de volatilidade atingiu o valor mais elevado desde abril, sinal claro de nervosismo nos mercados”, realça.

António José Duarte destaca ainda que “embora, por agora, não existam sinais de uma crise sistémica semelhante à que envolveu a Silicon Valley Bank — ainda que estas instituições tenham uma dimensão comparável —, a sucessão e a concentração temporal destes episódios está a pôr à prova a resiliência do sistema financeiro regional norte-americano”.


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