Bank of America admite que barril de petróleo chegue aos 100 dólares

“O clima está rapidamente a tornar-se no motor mais importante dos mercados de energia. Se o inverno for muito mais frio do que o normal, a procura global de petróleo poderá aumentar em mais 1 a 2 milhões de barris por dia. Nesse cenário, o déficit do mercado de petróleo neste inverno pode facilmente ultrapassar 2 milhões de barris por dia e atingir nossa meta de previsão de 100 dólares o barril “, afirmam os analistas do banco norte-americano.

Zbynek Burival on Unsplash

O Bank of America Merrill Lynch (BoA), numa análise publicada esta segunda-feira nos jornais internacionais, como por exemplo o “El Economista”, admite que o barril do Brent possa ultrapassar os 100 dólares o barril neste inverno.

À possibilidade do frio há que somar a surpreendente lentidão da oferta (dos produtores de petróleo) no que se refere à resposta à crescente procura de petróleo que resulta da recuperação económica. As empresas produtoras de petróleo estão a adiar suas decisões de investimento em face de um futuro um tanto ou quanto incerto, no qual os governos desenvolvidos planeiam travar as energias poluentes para favorecer as energias renováveis.

O relatório do banco norte-americano sustenta que no seu cenário base (o mais provável), o preço do petróleo bruto Brent ficará entre 70 e 75 dólares até o final do ano, mas reconhece ver “riscos crescentes de alta”.

“Em linha com essa visão (70 ou 75 dólares), projetamos déficits [oferta menor que a procura] nos próximos meses que devem sustentar os preços do petróleo até o final do ano. No entanto, uma nova onda de covid-19, uma birra nos mercados, um crise de dívida da China ou o regresso dos barris de petróleo iraniano podem fazer que o petróleo caia”, explicam os especialistas do BoA.

“De facto, o clima está rapidamente a tornar-se no motor mais importante dos mercados de energia. Se o inverno for muito mais frio do que o normal, a procura global de petróleo poderá aumentar em mais 1 a 2 milhões de barris por dia. Nesse cenário, o défice do mercado de petróleo neste inverno pode facilmente ultrapassar 2 milhões de barris por dia e atingir nossa meta de previsão de 100 dólares o barril “, afirmam os analistas do banco norte-americano.

O barril do Brent, referência na Europa, está hoje a subir 1,06% para 73,69 dólares, ao passo que o crude do West Texas nos Estados Unidos, avança 1,41% para 70,70 dólares.

O preço do petróleo recebeu um forte ‘impulso’ na sessão desta segunda-feira, por um lado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) prevê que a sede mundial de petróleo excederá os níveis pré-pandémicos em 2022, graças às melhores taxas de vacinação e ao aumento da confiança pública na gestão da pandemia Covid-19 pelos governos, o que vai estimular a recuperação da mobilidade, tanto nacional como internacional.

No seu relatório mensal, a OPEP elevou sua previsão de procura mundial de petróleo para 2022 em quase um milhão de barris por dia (bpd) para 100,8 bpd, o maior nível de procura desde 2019, quando estava em 100,3 milhões de barris. Dessa forma, a OPEP acredita que a procura do ouro negro irá recuperar acima do esperado num horizonte de seis meses, o que pode ser um impulso extra para o preço do petróleo.

Em agosto a produção diária da OPEP aumentou em 151 mil barris para um total de 26,76 milhões de barris por dia.

Os futuros do petróleo celebram as previsões otimistas da OPEP e a perspetiva do BoA, com subidas próximas dos 2% quer para o Brent, referência na Europa, quer para o West Texas, referência nos Estados Unidos.

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