BCE marca ritmo das bolsas europeias. EDP e BCP lideram sessão

EDP e BCP lideram ganhos na Bolsa de Lisboa. As bolsas da Europa fecharam no verde assim que o BCE anunciou a adoção de diversas medidas para reanimar a economia da zona euro que se revela cada vez mais em risco de recessão.

Kai Pfaffenbach/Reuters

A bolsa portuguesa fechou  a subir numa sessão em que as atenções estiveram sobretudo voltadas para a reunião do BCE. O PSI 20 valorizou 0,22% para 5.016,81 pontos.

A EDP e o BCP, dois títulos com um forte peso no índice, encerraram com ganhos de 1,81% e 1,09%, para 3,482 euros e 0,2045 euros, respetivamente.

A Mota-Engil subiu 1,06% e Corticeira Amorim 1,02%.

A Galp fechou nos 12.9750 euros (-1,63%), no dia em que a petrolífera comunicou que que a Agência Nacional do Petróleo Brasileira aprovou os Acordos de Individualização da Produção (AIP) relativamente às jazidas compartilhadas de Atapu e Sépia na Bacia de Santos. Mas quem liderou as perdas foi a Pharol com uma desvalorização de 1,88%, depois de ter adquirido mais ações próprias.

A decisão do BCE acontece no mesmo dia em que surgiram novos sinais de deterioração da conjuntura económica na zona euro.

Os mercados europeus terminaram em alta, num dia marcado substancialmente pela reunião do Banco Central Europeu (BCE).  Tal como esperado, o BCE anunciou a adoção de diversas medidas para reanimar a economia da zona euro que se revela cada vez mais em risco de recessão.

O BCE anunciou esta quinta-feira um pacote substancial de estímulos. O banco central cortou a taxa de remuneração dos depósitos bancários e lançou um novo plano de compra de dívida nos mercados.

Na conferência de imprensa Mario Draghi disse que, em última análise, a sua eficácia depende da ação dos governos, da política orçamental.

O BCE retoma a compra de ativos, mas não se atreveu a agravar substancialmente as taxas de juros negativas. O banco central agravou apenas em uma décima a taxa negativa dos depósitos que caiu de -0,4% para -0,5%, tendo o Presidente Mario Draghi informado que essas taxas se irão manter ao presente nível até que a inflação se aproxime de 2% de forma sustentada. Alguns analistas tinham apontado para uma descida mais drástica, para -0,6%.

O BCE anunciou que em novembro voltará a efetuar compras líquidas mensais de dívida pública  no valor de 20 mil milhões de euros, no ponto mais baixo do intervalo avançado pelos analistas que ia até 50 a 60 mil milhões de euros por mês.

O BCE decidiu também avançar com medidas de proteção aos bancos: o BCE optou por passar a isentar uma parte das reservas dos bancos da aplicação de taxas de juro negativas.

A Banca, que é um dos setores mais sensíveis à questão do BCE, fechou a subir nos países da Europa do Sul e a cair nos países da Europa central. Em Espanha o Santander subiu 0,47% e o BBVA 1,12%. Em Itália o Intesa Sanpaolo valorizou 0,69%. O Unione di Banche Italiane subiu 1,56%. O UniCredit ganhou 2,08%.

Na Alemanha o Deutsche Banks desvalorizou 0,95% e o Commerzbank deslizou 0,45%. Em França o Société Générale perdeu 0,41% e o BNP Paribas recuou 0,15%.

As praças europeias ganharam entusiasmo com as decisões de política monetária do BCE. O EuroStoxx 50 subiu 0,63% para 3.539 pontos.

Os ganhos do DAX foram de 0,41% para 12.410,2 pontos. Os do Footsie foram mais ligeiros (+0,09% para 7.344,7 pontos) e o italiano Foostsie MIB ganhou 0,88% para 22.083,17 pontos. O francês CAC fechou a subir 0,44% para 5.643 pontos e o IBEX  avançou 0,25% para 9.082,3 pontos.

As notícias do BCE deixaram para segundo plano as notícias de que os EUA vão adiar a imposição de tarifas extra a algumas importações da China. Donald Trump anunciou o adiamento de duas semanas do aumento das tarifas em 250 mil milhões de dólares de produtos chineses importados a partir de 1 de outubro.

Nos movimentos empresarias, a Alstom foi penalizada pela venda da participação por parte da Bouygues. No setor de Viagens e Lazer a nota do JP Morgan sobre as cadeias de hotéis penalizaram. Destaque para a subida da AB InBev que deverá avançar novamente para o IPO da sua unidade asiática.

Em termos macroeconómico, a decisão do BCE acontece no mesmo dia em que surgiram novos sinais de deterioração da conjuntura económica na zona euro. De acordo com o Eurostat, a produção industrial recuou 2% em julho na zona euro face ao mesmo mês de 2018, uma queda mais acentuada que o esperado (-1,4%). No mês de junho a queda foi de 2,4% (uma revisão dos -2,6%).

Na Alemanha, o Ifo reportou que há uma recessão no horizonte para a Alemanha e apresentou uma previsão de variação do PIB de -0.10% para o 3º trimestre, à semelhança do registado no segundo trimestre.

O Instituto Ifo reduziu sua previsão de crescimento económico na Alemanha para este ano e para o próximo. Em vez de 0,6%, os economistas agora esperam apenas 0,5% de crescimento para 2019. “A economia alemã corre o risco de cair em recessão. Como uma mancha de petróleo, a fraqueza da indústria está se a espalhar gradualmente para outros setores da economia, como a logística, um dos prestadores de serviços ”, diz Timo Wollmershaeuser, chefe de previsões da Ifo. “Essa perspectiva está associada a altas incertezas. Por exemplo, estamos a assumir que não haverá um Brexit difícil ou uma escalada da guerra comercial dos EUA”.

A dívida alemã a 10 anos sobe 4,8 pontos base para -0,516%. Já a dívida portuguesa está me queda de 3,1 pontos base para 0,235% e a espanhola desce 3,4 pontos base para uma yield de 0,221%. Itália vê os seus juros da dívida a 10 anos tombarem 10,4 pontos base para 0,867%.

Relativamente ao petróleo, a Bloomberg informa que os ministros que hoje se reuniram em Abu Dhabi não discutiram detalhadamente o limite de produção imposto no acordo do ano passado, mas poderão fazê-lo em dezembro deste ano, disse o ministro do Petróleo de Omã, Mohammed Al Rumhy.

A Organização de Países Exportadores de Petróleo e os seus aliados, incluindo a Rússia, não definiram assim novos cortes gerais na produção de petróleo na reunião de hoje, em Abu Dhabi, mas apelou a reduções voluntárias em alguns países. Uma decisão oficial foi adiada para dezembro.

O petróleo Brent, em Londres, cai 1,61% para 59,83 dólares e o crude WTI nos Estados Unidos recua 1,85% para 54,72 dólares.

O euro sobe 0,51% para 1,1066 dólares.

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